Os EUA de Trump: "Fim da separação entre Igreja e Estado". Artigo de Viviana Mazza

Foto: Gage Skidmore | Fotos Públicas

Mais Lidos

  • Leão XIV proclama o segredo mais bem guardado da Igreja Católica em ‘Magnifica Humanitas’. Artigo de Thomas Reese

    LER MAIS
  • ​Prevenção da violência, enfrentamento da criminalidade e recuperação de jovens em conflito com a lei dependem de políticas que ultrapassem o punitivismo penal, defende o advogado

    Redução da maioridade penal e a lógica punitivista: “A segurança pública não será alcançada apenas por meio do aumento da punição”. Entrevista especial com Alexander Rodrigues de Castro

    LER MAIS
  • Horas antes do cisma ser finalizado, Pagliarani responde ao Papa: "Não somos cismáticos, somos o remédio de que a Igreja precisa"

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

30 Junho 2026

"A expressão 'um muro de separação entre Igreja e Estado', cunhada por Thomas Jefferson em uma carta de 1802 aos batistas, compartilhando sua oposição às igrejas oficiais estadunidenses (posteriormente abolidas), não consta na Constituição, mas está incorporada em precedentes da Suprema Corte."

O artigo é de Viviana Mazza, escritora e jornalista, publicado por Corriere della Sera, 28-06-2026. A tradução de Luisa Rabolini.

Eis o artigo. 

Um relatório de 224 páginas da Comissão pela Liberdade Religiosa do governo Trump, composta por cristãos conservadores e um judeu ortodoxo, sugere substituir a ideia de separação entre Igreja e Estado pela ideia de construir "pontes" entre as duas instituições. O relatório minimiza a importância da separação entre Igreja e Estado, mas evita classificá-la como "uma mentira", como fez o presidente da Comissão, o vice-governador do Texas, Dan Patrick, em abril. "Para ser claros, isso não diz respeito nem pede apoio para uma teocracia", nem para a "eliminação total de qualquer separação entre Igreja e Estado", afirma o relatório; em vez disso, o documento propõe respeitar a "tensão entre as cláusulas relevantes da Primeira Emenda", que garante a liberdade religiosa mas proíbe o governo de instituir uma religião oficial.

Patrick afirmou que a expressão "separação entre Igreja e Estado" vem sendo usada há décadas para "atingir as pessoas de fé" e que os estadunidenses "nunca mais serão atacados com essa frase".

O relatório é uma minuta, aberta a comentários do público até 12 de julho. Recomenda que o Departamento de Justiça emita diretrizes e promova uma "interpretação originalista" de como a Constituição vê a relação entre religião e governo. O documento é publicado em um momento em que muitos conservadores pressionam com força para ampliar o papel da religião, particularmente do cristianismo, nos espaços públicos, fortalecidos por recentes decisões da Suprema Corte que consideraram constitucionais tais manifestações de fé. Vários estados determinaram a afixação dos Dez Mandamentos nas escolas públicas. Na sexta-feira, o Conselho de Educação do Estado do Texas aprovou uma lista de leituras obrigatórias para mais de 5 milhões de alunos que inclui passagens da Bíblia.

O relatório também recomenda a revogação da "Emenda Johnson", que proíbe atividades políticas por parte de organizações religiosas isentas de impostos, e a indenização de militares dispensados por recusarem a vacina contra a COVID. O texto fala da importância do combate ao antissemitismo; no entanto, os críticos ressaltam que não aborda adequadamente a islamofobia. Alguns grupos de esquerda, como a Interfaith Alliance, moveram ações judiciais contra a Comissão, alegando ausência da diversidade ideológica obrigatória em órgãos consultivos federais. Seus membros afirmam que os Estados Unidos são uma nação judaico-cristã; os críticos rebatem que a religião não detém o monopólio sobre a virtude e pode causar até mal além do bem. "Nós salvamos a religião", declarou Trump, acusando Joe Biden, um católico, de ter instaurado um "reinado de perseguição".

A expressão "um muro de separação entre Igreja e Estado", cunhada por Thomas Jefferson em uma carta de 1802 aos batistas, compartilhando sua oposição às igrejas oficiais estadunidenses (posteriormente abolidas), não consta na Constituição, mas está incorporada em precedentes da Suprema Corte. No século XX, a Corte invocou a "separação" para evitar que governos estaduais e locais criassem igrejas. Isso levou à proibição de realizar orações oficiais e de afixar os Dez Mandamentos nas escolas públicas. No entanto, nos últimos anos, a Corte, de maioria conservadora, mudou de orientação, permitindo orações em grupo conduzidas por treinadores no campo e a objeção de consciência em relação a aulas sobre direitos transgênero. O relatório afirma que Jefferson não defendia a proibição total da expressão religiosa na vida pública, mas sim a busca de um equilíbrio: "Na realidade, Estado e Igreja se fortalecem e apoiam um ao outro."

Leia mais