06 Março 2026
“Do Golfo Pérsico à Austrália, dos Estados Unidos à América Latina, prelados de todo o mundo exigem a interrupção da escalada da violência, a proteção de civis e a devolução do papel da diplomacia”, como sublinhou Leão XIV.
A informação é de Riccardo Benotti, Sir, publicada por Religión Digital, 05-03-2026.
“A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças mútuas, nem com armas, que semeiam destruição, dor e morte, mas apenas através de um diálogo razoável, autêntico e responsável”. As palavras proferidas por Leão XIV no Ângelus de 1 de março, no dia seguinte ao início da ofensiva sobre Teerã, ofereceram o ponto de referência em torno do qual se articulou a resposta eclesial internacional. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, voltou a referir-se à crise em 4 de março, denunciando o “duplo padrão” da comunidade internacional, onde algumas vítimas civis correm o risco de serem consideradas simples “danos colaterais”. Em poucos dias, delinearam-se as posições de episcopados, organismos eclesiais e realidades católicas de diferentes continentes, unidos por um insistente apelo à responsabilidade política e à prioridade da diplomacia.
Nos Estados Unidos, o arcebispo Paul Coakley, presidente da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos, alertou para o “risco de converter o conflito em uma guerra regional mais ampla” e pediu “um retorno ao compromisso diplomático multilateral”. Na Europa, a Comece alertou contra “um enfraquecimento da ordem internacional baseada em normas”, convidando a União Europeia a redescobrir a sua “vocação original de projeto de paz”. Na Alemanha, monsenhor Heiner Wilmer expressou “profunda preocupação”, questionando se a escalada militar pode realmente trazer mais paz. A Conferência Episcopal Irlandesa reafirmou: “A guerra não é a resposta. Nenhum líder político tem a autoridade para desencadeá-la a seu bel-prazer”.
Nos vicariatos apostólicos do Golfo Pérsico, onde a retaliação iraniana afetou instalações militares nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Kuwait, os pastores católicos viram-se obrigados a gerir comunidades de fiéis diretamente expostas às tensões. Monsenhor Paolo Martinelli, vigário apostólico da Arábia do Sul, convidou os fiéis a “manter a calma e a serenidade”, enquanto monsenhor Aldo Berardi, vigário da Arábia do Norte, expressou a esperança de que “se estabeleça um cessar-fogo”. A Federação de Conferências Episcopais da Ásia recordou que a guerra afeta desproporcionalmente os mais vulneráveis.
Monsenhor Timothy Costelloe, presidente da Conferência Episcopal Australiana, reafirmou o julgamento moral: “A violência apenas multiplica o sofrimento; a guerra é sempre uma derrota para a humanidade”. A Pax Christi International denunciou os “recentes ataques militares” e pediu o retorno imediato à negociação, enquanto as Conferências Episcopais do Chile e da Argentina convidaram à intensificação da oração. Surge, assim, um coro que atravessa continentes: de Washington a Manila, de Bruxelas a Buenos Aires, a resposta da Igreja converge em um ponto essencial: a paz não é uma utopia moral, mas uma responsabilidade política e espiritual.
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