O suicídio de Mohamed. Artigo de Tonio Dell’Olio

Foto: Refugees in Libya | InfoMigrants

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09 Junho 2022

 

O que levou ao suicídio Mohamed Mahmoud Abdel Aziz? O nosso racismo rastejante ou a nossa indiferença? A crueldade dos campos de concentração líbios camuflados de centros de acolhimento ou o sistema global que produz refugiados de pele negra? Ele tinha 19 anos e decidiu pôr um fim aos seus dias quando percebeu que as torturas que sofreu em Ain Zara, na Líbia, eram uma condição pior do que a que havia deixado às suas costas, em Darfur (Sudão).

 

O comentário é de Tonio Dell'Olio, presidente da Pro Civitate Christiana, publicado por Mosaico di Pace, 08-06-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Como os ucranianos, ele fugia da guerra, como os ucranianos, com a alma ferida, ele mendigava por solidariedade. Com razão Nello Scavo hoje no editorial do Avvenire destaca que "Trípoli fica a exatamente 1.000 quilômetros de Roma. Kiev quase 1.800. A Itália está enviando armas para a Ucrânia. Também para a Líbia. No primeiro caso, para apoiar o exército que combate a agressão de Moscou. No segundo, para impedir que refugiados e migrantes cheguem às nossas costas”. Também seu campo de detenção é financiado com "as ajudas" europeias e italianas.

 

Junto com Mohamed, se suicidaram a solidariedade e a fraternidade internacionais. E essa desigualdade de tratamento dos desesperados, podem chamá-la de hipocrisia, cinismo ou, melhor dizer, esquizofrenia. Enquanto vocês procuram a melhor definição, minha alma se ajoelha diante da vida muda de um jovem de dezenove anos a quem pedir apenas perdão.

 

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