Os compromissos que esperam o novo arcebispo de Paris

Fonte: Wikimedia Commons

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28 Abril 2022

 

À frente de uma diocese diferente de qualquer outra na França, Mons. Ulrich terá que enfrentar muitos desafios, a começar pela unidade dos sacerdotes e dos fiéis.

 

A reportagem é de Xavier Le NormandMélinée Le Priol, publicada por La Croix e reproduzida por Fine Settimana, 27-04-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

A nomeação era esperada entre a Páscoa e junho, agora é oficial: o Papa Francisco escolheu Mons. Laurent Ulrich de Lille para assumir a direção da diocese de Paris. Foi, portanto, uma escolha relativamente rápida, cinco meses após a inesperada aceitação da renúncia de Mons. Michel Aupetit, após rumores sobre sua vida privada e tensões latentes sobre sua forma de governar.

 

Ao concordar em assumir a liderança da diocese de Paris, D. Laurent Ulrich é catapultado diante de desafios importantes na Igreja da França. As estatísticas sobre a jurisdição eclesial da capital causam arrepios em comparação com as de outras dioceses: 106 paróquias, cerca de 500 sacerdotes, dezenas de seminaristas, mas também centenas de religiosos e religiosas e milhares de leigos empenhados. Para funcionar, a diocese dispõe de um orçamento de cerca de 90 milhões de euros - três vezes o de Lille, que D. Ulrich liderou por quatorze anos.

 

Mas em primeiro lugar o arcebispo (em breve com 71 anos) terá que se dedicar a um paciente trabalho de reconstrução da confiança entre os padres de Paris. De fato, decisionismo e rigidez parecem ter caracterizado a gestão de D. Aupetit em seus quatro anos de episcopado parisiense e deixaram vestígios no clero da capital, que não é famoso por sua flexibilidade, sempre caracterizado pela figura tutelar do Cardeal Jean-Marie Lustiger, construtor incomparável, mas com um caráter imperioso.

 

Unidade dos padres, mas também dos fiéis. Mons. Aupetit era muito apreciado por alguns deles – por sua proximidade, especialmente nas visitas pastorais e por sua clareza especialmente em questões bioéticas, mas também havia despertado tensões contra ele.

 

A demissão do diretor da prestigiosa e exclusiva escola Saint-Jean-de-Passy e o fechamento do centro pastoral Saint-Merry - próximo a migrantes e pessoas à margem da Igreja – foram a origem de inimizades de várias partes. Cabe agora a D. Ulrich restaurar a comunhão entre as diferentes tendências... sem, no entanto, "limitar-se a fazer referência a um número cada vez mais reduzido de praticantes", adverte um pároco da capital.

 

Tratar-se-á, por exemplo, de envolver mais os praticantes. É o que esperam vários sujeitos da diocese, acreditando que tenha chegado a hora de deixar o modelo parisiense de "pároco onipresente", que manifesta uma espécie de "clericalismo". “Temos muitos leigos com excelente preparação, mas que têm dificuldades para se envolver e às vezes ficam quase como figurantes”, lamenta um padre teólogo do Institut catholique de Paris (ICP). Segundo ele, a sinodalidade é mais difícil de viver em Paris do que em outras dioceses onde é praticamente "obrigatória", por falta de outros recursos.

 

Esses compromissos se somam a muitos outros, para D. Ulrich, como: garantir a proteção do ICP, acompanhar as capelanias estudantis, numerosas em uma grande cidade universitária. Mas também garantir aquela função de representação da Igreja no cenário nacional e no debate público que se espera do arcebispo da capital.

 

O novo arcebispo também terá que prestar atenção especial às escolhas a serem feitas em relação às obras de reconstrução de Notre Dame, sobre as quais qualquer decisão corre o risco de exasperar as paixões.

 

Um desafio importante, mas que deveria "coroar" o episcopado parisiense de D. Ulrich, já que será sob o seu mandato que a catedral poderia reabrir as suas portas ou voltar a acolher o coração pulsante da vida litúrgica da capital.

 

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