Ucrânia. Europa não pode mais se contentar com a estratégia dos EUA

Foto: Ministry of Defense of Ukraine | Flickr CC

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24 Fevereiro 2022

 

Com seu discurso televisionado e cuidadosamente encenado, cheio de barulho e fúria, o chefe de Estado russo surpreendeu o “campo ocidental” e minou todos os esforços feitos pela França e pela Alemanha para encontrar uma solução diplomática para o conflito ucraniano.

 

O comentário é de Isabelle de Gaulmyn, ex-vaticanista e editora do La Croix International, 23-02-2022. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Tudo nesse discurso falava da profundidade da humilhação sentida pela Rússia, daquele ressentimento nascido de um sentimento de rebaixamento, que o líder do Kremlin assumiu como sua força motriz.

Mas é um paradoxo curioso. A fim de se vingar, a Rússia está jogando a carta da Guerra Fria, aquele “velho mundo” cujos piores momentos parecemos estar revivendo atualmente.

E esse país, agora apenas uma potência de nível médio, está mais uma vez mantendo todo o planeta em suspense.

A Europa não pode repetir os cenários da Guerra Fria.

Muito pelo contrário, já que não é mais assim.

Além disso, foi uma aposta de Putin pensar que o Ocidente já está no “novo mundo”, com uma opinião pública escaldada por reveses militares (Iraque, Afeganistão) e relutante em apoiar e financiar um conflito armado.

De fato, o destino da Ucrânia não está mobilizando as multidões.

Os Estados Unidos se preocupam com o seu confronto com a China e, apesar da sua linguagem agressiva, permanecem cautelosos.

Nesse contexto, a Europa não pode mais se contentar com a estratégia estadunidense.

Sua economia está muito mais entrelaçada com a Europa oriental do que com a antiga União Soviética. Seus interesses políticos e geoestratégicos não são os do aliado estadunidense.

A Alemanha imediatamente deu o tom, ao congelar o projeto do gasoduto Nord Stream 2 na terça-feira.

Então, de forma concertada ao longo do dia, todos os países da União Europeia, acompanhados pela Noruega e pela Grã-Bretanha, anunciaram fortes sanções.

É como se esta crise ucraniana, que está ocorrendo às portas da Europa, estivesse finalmente forçando o Velho Continente a falar a uma só voz.

 

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