Observatórios promovem oficina sobre PNADc. Entrevista com Moisés Waismann

  • Sábado, 2 de Março de 2024

Vivemos em uma sociedade da informação a qual oportuniza o acesso de uma infinidade de “retratos” das realidades, com os mais variados interesses, tanto para a sua manutenção, como para a transformação. Interesses e projetos que se colocam em disputa e exigem discernimentos analíticos.


Diante deste cenário. As ciências e as pesquisas, por meio dos seus diferentes agentes, estão convocadas à intensificação do seu protagonismo no sentido de subsidiar as análises para a intervenção nas realidades que se tramam nos diferentes territórios e ambientes.


Em torno deste compromisso é que os observatórios têm se constituído nos últimos anos. Muitos deles estão comprometidos não só com a investigação, mas também com a formação de agentes com a capacidade analítica e interventiva nas realidades.


O trabalho realizado por meio dos Observatórios recebe empenho na realização de pesquisas quantitativas a partir de dados primários e secundários. Os estudos são produzidos por agências governamentais e da sociedade civil comprometidas com a informação. Estes dados e indicadores subsidiam o planejamento, monitoramento, avaliação e controle social de políticas públicas e, também, a realização de novas pesquisas.


Ao reconhecer a importância e necessidade da qualificação dos processos de acesso, sistematização e análise de dados, assim como da formação de novos agentes para este protagonismo, os observatórios UnilaSalle: Trabalho, Gestão e Políticas Públicas e Observasinos/Instituto Humanitas Unisinos – IHU promovem a Oficina: PNADc - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Microdados da Região Metropolitana de Porto Alegre.


A atividade tem como objetivo ampliar a capacitação de agentes para a análise e intervenção na Região Metropolitana de Porto Alegre. Tudo isso, a partir do acesso, sistematização e análise dos dados e microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua que é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.


A oficina será ministrada pelo Prof. Dr. Moisés Waismann, coordenador do Observatório UnilaSalle. Em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Mendes revelou sua trajetória de trabalho com os dados, assim como o seu reconhecimento como campo para a pesquisa e intervenção junto às políticas públicas.


Ao longo da conversa, o professor também destacou a importância do uso de dados: “os dados são fundamentais para a produção de informações! Sem dados não pode existir reflexão e construção das realidade(s) existentes, tornando muito difícil a tomada de decisão adequada, exemplifica”.
Além disso, ele comenta como o país oferece um sólido sistema de informações, afirmando que “[...]...o Brasil tem a mais organizada e sólida estrutura de produção, organização e disseminação de dados do mundo”.


Eis a entrevista


Como os dados quantitativos se tornaram parte da sua pesquisa?
Essa pergunta me fez lembrar de uma aula de economia do setor público, onde fiz uma pesquisa sobre a questão fiscal do Rio Grande do Sul, busquei nos anuários da secretaria da fazenda os dados de arrecadação e de gastos. Ficou muito bom, foi o que o professor disse. A partir daí tomei gosto em trabalhar com dados numéricos, e fui me aperfeiçoando. A minha monografia foi sobre a estrutura agraria no Brasil e desta vez trabalhei com os dados censitários agropecuários. Tive uma passada pela gestão pública do município de Porto Alegre onde trabalhei com finanças e orçamento... e quando ingressei no doutorado em educação na Unisinos trabalhei com as políticas da educação superior e utilizei os microdados do censo escolar. A cada etapa fui aprendendo e me desafiando. Hoje utilizo os dados sobre o mercado de trabalho formal do atual Ministério da Economia e os dados da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílios Contínua do IBGE.


Como o Brasil tem gerido os dados das diversas realidades?
Primeiro, é importante dizer que o Brasil tem a mais organizada e sólida estrutura de produção, organização e disseminação de dados do mundo. Isso não sou eu que digo, isso é reconhecimento internacional, porém no último período as instituições vêm sendo desrespeitadas no seu fazer, assim como tem os orçamentos diminuídos, pela crença de que não é importante saber da realidade, a partir dos dados. Ou mesmo porque as informações produzidas não agradam os que neste momento estão no poder. Quando mais se precisou, durante o forte da pandemia, 2020 e 2021 o estado brasileiro parou de fornecer os dados da Covid, e em todo o primeiro semestre de 2020 os dados do mercado de trabalho não foram publicados. A exceção foi o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE que adaptou a coleta de dados da PNADc, criando metodologias diferenciadas.
De que forma os dados podem contribuir nos processos de planejamento do Brasil contemporâneo?
Os dados são fundamentais para a produção de informações! Sem dados não pode existir reflexão e construção das realidade(s) existentes, tornando muito difícil a tomada de decisão adequada. Sem os dados pode-se fazer o que se acredita ser a realidade, ou seja pode-se criar realidades paralelas, fictícias que não tem aderência ao mundo vivido pelas pessoas.
Na arena de construção de políticas públicas é de fundamental acesso aos dados e com esses produzir informações sobre a realidade vividas pela população e, pelos usuários. Caso contrário será uma sorte que algo dê certo.

 

Qual a relevância, no contexto das diferentes realidades e do planejamento de políticas públicas, de pesquisar os microdados da PNADc?
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNADc, é uma pesquisa feita mensalmente que produz dados, mensais e por acumulação trimestrais e anuais. Em cada período de tempo tem-se dados diferentes, que ajudam a monitorar o que está acontecendo, no que diz respeito ao trabalho, a educação, a renda, entre outras informações relevantes para o poder público e para as organizações privadas, assim como para as de pesquisa. Como os dados são mensais, trimestrais e anuais torna-se relevante o seu monitoramento para acompanhar o andamento de políticas públicas, readequação, assim como perceber e alinhar as estratégias das organizações em geral.

 

Quem pode se interessar em aprender a manipular os microdados da PNADc como é oferecido pela oficina?

A oficina interessa a todas e todos que trabalham com a promoção, construção e monitoramento de políticas públicas. Assim como à comunidade acadêmica, estudantes, professores e pesquisadores que utilizam dados da PNADc e querem avançar no cruzamento de dados, visto que na contemporaneidade a construção do conhecimento e a tomada de decisão estão cada vez mais dependentes das informações disponíveis. Neste sentido é a intensão do encontro é visibilizar o potencial do uso dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua-PNADc, na construção, monitoramento e tomada de decisão de ações na Região Metropolitana de Porto Alegre, promovendo uma cultura que estimule o pensamento crítico.
A oficina está estruturada em três partes. Na primeira vai -se conhecer o que é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua-PNADc, depois onde estão os microdados e como extrair utilizando o Rstudio. E, por fim, os usos dos microdados. Acreditamos que o evento vai possibilitar uma visão completa para o acesso e sistematização dos dados, assim como indicar perspectivas de sua análise, mesmo que introdutória.

A oficina:

A oficina está estruturada em três partes. Na primeira vai-se conhecer o que é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua-PNADc, depois onde estão os microdados e como extrair utilizando o Rstudio e, por fim, os usos dos microdados. Acredita-se que vai se ter uma visão completa para o acesso e sistematização dos dados, assim como indicar perspectivas de sua análise, mesmo que introdutória.  A oficina será ministrada pelo professor Moisés Waismann e pelo estudante de engenharia Gabriel Luis de Cesaro, ambos membros do Observatório do Trabalho.