“Quem erra é corrigido, a doutrina continua clara”

Mais Lidos

  • Zohran Mamdani está reescrevendo as regras políticas em torno do apoio a Israel. Artigo de Kenneth Roth

    LER MAIS
  • Os algoritmos ampliam a desigualdade: as redes sociais determinam a polarização política

    LER MAIS
  • “Os discursos dos feminismos ecoterritoriais questionam uma estrutura de poder na qual não se quer tocar”. Entrevista com Yayo Herrero

    LER MAIS

Revista ihu on-line

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

Entre códigos e consciência: desafios da IA

Edição: 555

Leia mais

25 Junho 2015

“Quem erra e vive no erro é corrigido”. É uma “regra” que vale para todos e, portanto, também para divorciados redesposados, para casais de fato e homossexuais”, adverte o cardeal Velasio De Paolis, ex-ministro das Finanças da Santa Sé e atual comissário extraordinário sob nomeação papal dos Legionários de Cristo. Mas De Paolis é também um dos cinco cardeais (junto a Burke, Müller, Brandmüller e Caffarra) autores do livro “O Permanecer na verdade de Cristo” que, publicado na véspera do Sínodo extraordinário sobre a família do ano passado, reafirma, no tema da família, a moral tradicional da Igreja. 

A entrevista é de Orazio La Rocca, publicada no jornal La Repubblica, 24-06-2015. A tradução é de Benno Dischinger

Eis a entrevista.

Eminência, o novo documento ainda relança as aberturas sobre a comunhão aos divorciados redesposados, aos casais de fato e os gays.

Antes de expressar um juízo sobre este novo texto eu quero lê-lo. Mesmo estando fora de toda mínima dúvida a validez do princípio de que, se uma pessoa erra, é ajudada a corrigir-se, e não a perseverar no erro. O texto apresentado ontem propõe ao Sínodo os mesmos pontos quentes da sessão do ano passado, sobre os quais os padres se dividiram. Em outubro próximo também haverá desacordos entre conservadores e progressistas? Para os divorciados redesposados se fala de uma segunda possibilidade de acesso à comunhão após um caminho penitencial. Para os gays se fala de acolhida e respeito...

Verdadeiramente nada foi decidido e o documento apresentado ontem será submetido à avaliação do Sínodo que, em todo o caso, não tem poderes deliberantes, mas somente consultivos. A última palavra sempre caberá ao Santo Padre. Discutir sobre os vários pontos previstos é prematuro, também porque não se sabe nada, por exemplo, deste caminho penitencial dos divorciados redesposados, nem muito menos sobre como se poderá fazer, se serão os bispos locais a decidir. Assim também para a acolhida a casais de fato e gays. Falamos também de tudo, mas a validez do ensinamento tradicional da Igreja em matéria de moral matrimonial permanece inatacável. 

O Papa Francisco convida a Igreja a ser sempre muito misericordiosa e acolhedora, e a ir ao encontro de famílias feridas e de quem pede ser ajudado sem considerar a orientação sexual. O senhor o que pensa sobre isso?

Penso todo o bem possível sobre uma Igreja misericordiosa como hospital de campo. Todos temos necessidade disto, porque somos todos pecadores. Mas, a acolhida e a misericórdia jamais são dados em detrimento da verdade. Além disso, a um hospital se vai para curar-se, não para continuar a viver na doença.