Sofrimento psíquico afeta 83,5% dos alunos das universidades federais

Foto: Pixabay

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20 Mai 2019

Os resultados de um levantamento divulgado nesta quinta-feira (16) pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) mostram que a saúde dos estudantes das universidades federais é preocupante. Especialmente a mental.

A 5ª Pesquisa do Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes de Graduação das Universidades Federais, realizada em 2018, traz dados como perfil familiar, renda, vulnerabilidade e aspectos gerais da vida do estudante – o corpo discente da rede federal de ensino superior é formado por 54,6% de mulheres; mais de 50% têm de 20 a 24 anos; 78,1% se declara heterossexual; e 51,2% é negra.

A reportagem é de Cida de Oliveira, publicada por Rede Brasil Atual – RBA, 18-05-2019.

De acordo com os 424.128 alunos de 63 universidades e dois centros federais de ensino tecnológico que participaram do estudo – que corresponde a 35,34% dos 1.200.300 que formam o total de alunos dessas instituições – 83,5% disseram experimentar alguma dificuldade emocional. A ansiedade é a mais comum, afetando seis a cada dez deles. Para 10,8% é comum se ter ideia de morte e ainda, 8,5% têm pensamentos suicidas.

Na versão anterior da pesquisa, realizada em 2014, o percentual de estudantes com ideação de morte era 6,1%, enquanto pensamento suicida afetava 4%. Conforme os pesquisadores, está acesa a luz vermelha da atenção à saúde mental entre os universitários brasileiros. “Um crescimento preocupante. O suicídio já é considerado a segunda causa de morte entre o público universitário e, ao que parece, segue em franca ascensão no mundo inteiro”.

Dos estudantes que responderam ao questionário, procuraram atendimento psicológico há mais de um ano 13,7%, enquanto que 9% afirmaram ter procurado acompanhamento especializado no último ano e 9,7% declararam estar sob cuidado psicológico.

Questionados sobre o uso de medicação psiquiátrica, 9,8% responderam afirmativamente. Entre os que estavam ou estiveram em tratamento psicológico, 39,9% também tomavam medicação.

Saúde física

Os pesquisadores ouviram os universitários também sobre o comportamento alimentar. O tema é complexo, já que envolve determinantes externas, como a renda. Em média, os estudantes fazem 3,5 refeições ao longo do dia. Mas há os que fazem menos de três refeições. Do total, 12,5% faz apenas duas refeições diárias, um percentual que cresceu em relação à pesquisa anterior, que era de 6,9%.

Os percentuais variam regionalmente e também em relação à cor ou raça. Conforme os pesquisadores, a maioria faz três refeições diárias em todas as regiões, sendo que estes percentuais são mais elevados no Norte (48,5%) e no Nordeste (47,6%). Em seguida estão aqueles que fazem quatro refeições diárias, com o Sudeste (32%) e o Sul (28,5%) apresentando os maiores percentuais. Já o Centro-Oeste e o Norte exibem os maiores percentuais de estudantes que se alimentam apenas até duas vezes por dia.

A maioria absoluta faz suas refeições em casa (57%), 30,2% no restaurante universitário. Nesses restaurantes, fazem uma refeição diária 15,5%, duas refeições 12,5% e três refeições diárias 2,2% do total. Levando em conta que os universitários que fazem mais refeições diárias são de maior poder aquisitivo e os que fazem uma refeição diária (ou duas) pertencem a um estrato socioeconômico mais baixo, este grupo depende de restaurantes universitários, com preços subsidiados.

Em relação à saúde física, quase 40% dos entrevistados declarou não fazer qualquer tipo de atividade, índice maior que o 29,2% da pesquisa anterior. Esse aumento do sedentarismo dispara outro alerta vermelho nas federais.

Mais de 25% dos estudantes afirmaram que sua universidade não oferecia condições suficientes para a prática de atividade física. A maioria dos universitários da rede federal (53,6%) recorrem ao SUS em busca de atendimento médico, incluindo assistência preventiva, e 35,6% utilizam planos de saúde.

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