Teólogo: sinodalidade e democracia não são mutuamente exclusivas

Foto: IMAGO/GODONG/Katholisch

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09 Julho 2026

O teólogo e dominicano Ulrich Engel não vê nenhuma contradição fundamental entre sinodalidade e democracia na vida da Igreja. "Tenho dúvidas: a democracia se limita realmente à forma, enquanto a sinodalidade se concentra no conteúdo (relacionado à fé)?", escreve Engel em artigo para a revista teológica feinschwarz.net. "Podem os processos de tomada de decisão sinodais ser justificados pneumatologicamente, enquanto a tomada de decisão democrática simplesmente segue o poder de fato de qualquer maioria dada?"

A informação é publicada por Katholisch, 08-07-2026.

O ponto de partida para suas reflexões é o discurso de Natal do Papa Francisco (2013-2025) aos membros da Cúria Romana em 2020. Nele, o Papa alertou contra a compreensão de uma Igreja sinodal como "qualquer assembleia democrática" modelada segundo um parlamento. A diferença, segundo Francisco, reside na obra do Espírito Santo.

Ética formal

Engel enfatiza que a democracia é entendida aqui puramente de forma formal e reduzida a um mero procedimento para a formação de uma maioria. No entanto, ele também destaca que existe um "ethos formal da democracia". O teólogo se baseia nas reflexões do antigo bispo de Mainz e cardeal Karl Lehmann (1936-2017). Já em 1971, Lehmann enfatizou que existe também uma segunda dimensão, ética, no conceito de democracia. Essa dimensão é caracterizada por valores como a dignidade humana, a liberdade, a solidariedade e a convivência cooperativa, que, como Lehmann afirmou na época, "foram iniciados por ideais cristãos".

Dessa perspectiva, a democracia se "qualifica como uma forma de governo e um modo de vida", enfatiza Engel. Ela "torna-se um estilo de convivência que deve ser demonstrado e comprovado não apenas na sociedade, mas também dentro da Igreja: por exemplo, em uma interação verdadeiramente livre entre os membros ou em levar a sério a fé de todos os crentes".

Segundo Engels, a Ordem Dominicana demonstra que um modo de vida democrático e a vida eclesial são compatíveis. Há mais de 800 anos, os cargos de liderança dentro da ordem são eletivos e as decisões importantes são tomadas coletivamente. A constituição democrática da ordem serve não apenas a propósitos organizacionais, mas também é uma expressão de sua espiritualidade e missão compartilhada. Engels é professor de questões filosóficas e teológicas de fronteira na Universidade de Ciências Aplicadas CTS de Münster e trabalha no campus de Teologia e Espiritualidade em Berlim.

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