Cardeal Koch: Ainda tenho esperança de reconciliação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X

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04 Julho 2026

O Cardeal Kurt Koch encara com tranquilidade as recentes consagrações episcopais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Além disso, acredita que a palavra final ainda não foi dita em relação à ruptura com a Igreja Católica. No episódio atual do podcast da revista "Communio", Koch afirmou que a excomunhão convida ao arrependimento para que se possa encontrar o caminho de volta. Ele espera que seja possível, no futuro, retomar o diálogo "para que possam encontrar o caminho de volta à Igreja Católica". Ele explicou que é comum na história da Igreja que cismas ocorram após concílios. A Igreja sempre foi acusada de trair a tradição e introduzir algo novo. "Parece-me que o problema fundamental aqui também é como ser fiel à tradição e, ao mesmo tempo, estar aberto a novos desafios."

A informação é publicada por Katholisch, 03-07-2026.

"Bater no próprio peito"

Historicamente, esses problemas sempre acabaram sendo resolvidos. O Concílio Vaticano II (1962-1965), que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) rejeita, ainda é aparentemente muito recente, "mas espero que haja outros caminhos no futuro", disse Koch. Referindo-se ao pluralismo religioso, que defende que todas as religiões são caminhos iguais para Deus, o ministro do Ecumenismo do Vaticano afirmou: "Seria bom usar o debate com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X como uma oportunidade para examinarmos nossas próprias práticas e considerarmos o que precisa mudar. Só assim poderemos explicar à Fraternidade que os males que eles identificam não estão contidos no Concílio, mas são tendências que surgiram depois dele."

Na ausência de autorização papal para suas consagrações episcopais, a FSSPX apresentou ampla justificativa para essa medida. Segundo o Cardeal Koch, isso equivale a "uma autoconfiança para as ordenações" e lembra os desdobramentos dentro da ala progressista da Igreja, onde grupos buscam se autorizar a fazer o que a liderança da Igreja não deseja: "Isso demonstra, mais uma vez, como tradicionalistas e progressistas podem, por vezes, estar doentes no mesmo hospital, embora em alas completamente diferentes". O Cardeal afirmou que o conceito de tradição da FSSPX é incompleto, pois inclui apenas fragmentos da tradição. Eles não têm em mente toda a tradição de 2 mil anos, mas declaram que ela foi interrompida com o Concílio Vaticano II.

Koch criticou a interpretação da FSSPX sobre a frase "Fora da Igreja não há salvação". Ele afirmou que a tradição da Igreja sustenta a convicção de que Deus deseja a salvação de todas as pessoas e encontrará caminhos para aqueles que nunca estiveram "em harmonia" com o Evangelho.

"Se a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, essencialmente, envia para o inferno todos que não estão na Igreja Católica, então não sei como essa convicção fundamental das Sagradas Escrituras — de que todas as pessoas querem ser salvas por Deus — ainda pode ser justificada", disse o teólogo. O perigo, acrescentou, é que o julgamento teológico aqui prevaleça sobre a vontade final de Deus.

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