O cisma entre os lefebvristas e o Vaticano, disse o teólogo Grillo ao Fanpage: "Agora existe o risco de que ele se agrave"

Foto: Alex Does Pictures | Pexels

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02 Julho 2026

Existe um cisma entre a Igreja Católica e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. O Fanpage.it entrevistou o teólogo Andrea Grillo, que insta o Papa a superar o conflito entre tradicionalistas e modernistas para evitar maiores rupturas.

Um novo cisma está se desenrolando na Igreja Católica após a ordenação de quatro novos bispos sem autorização papal pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Bispos, padres e milhares de fiéis estão, mais uma vez, fora da comunhão com Roma. O Fanpage.it entrevistou o teólogo Andrea Grillo, professor de teologia sacramental na Faculdade de Teologia do Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, em Roma, e especialista na história da FSSPX.

A entrevista é de Michele M. Ippolito, publicada por Fanpage.it, 01-07-2026.

Eis a entrevista.

A Santa Sé fez progressos significativos nos últimos anos na reconciliação com a Fraternidade. Por outro lado, porém, tem havido, muitas vezes, inflexibilidade...

O cisma que se desenrola hoje não deve ser superestimado, pois não introduz nada verdadeiramente novo. Desde 1988, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X está efetivamente excomungada, apesar das tentativas de reconciliação, inclusive por parte do Papa Bento XVI. Nunca houve uma verdadeira reconciliação. Obviamente, as coisas ficam ainda mais claras quando, contrariando Roma, a própria Fraternidade — que havia ordenado bispos em 1988 e, portanto, entrado em conflito e estado de excomunhão com a Igreja — ordenou quatro novos bispos. Isso confirma, em grande medida, um fato que já estava em curso.

Tentativas de reconciliação vêm sendo feitas desde a década de 1990, mas especialmente desde 2007, após o motu proprio do Papa Bento XVI, que efetivamente introduziu um princípio lefebvriano no catolicismo em comunhão com Roma: o de que se pode estar em comunhão com Roma sem aceitar sua reforma litúrgica. Este é um precedente grave para o catolicismo romano, para o catolicismo que queria dialogar com os lefebvristas ao custo de perder a reforma litúrgica.

Após alguns anos de espera, o Papa Francisco superou essa abordagem. De fato, de 2007 até hoje, muitas comunidades ficaram desorientadas porque lhes disseram: "Se quiserem, podem celebrar com o rito do Concílio de Trento (o rito tridentino), mas não percam a comunhão com Roma."

Então você afirma que o cisma nunca foi realmente resolvido, apesar do "perdão" de Bento XVI?

Os lefebvrianos sempre celebraram — mesmo antes de 1988, e obviamente depois de 1988 — apenas com o rito tridentino, e não aceitam a nova ordem desejada por Paulo VI e revivida por João Paulo II. A reconciliação com os lefebvrianos não só não funciona, como introduz um elemento de divisão no catolicismo em comunhão com Roma. É por isso que não me surpreende o novo cisma.

Como o Papa Leão XIV deveria reagir? Que posição a Igreja Católica deveria tomar agora?

O catolicismo agora tem a tarefa de explorar maneiras de impedir que o cisma se alastre dentro do catolicismo em comunhão. Creio que a única solução possível hoje é abraçar uma nova consciência da pluralidade dentro do catolicismo, e não o tradicionalismo de um lado e o modernismo de outro. É prejudicial à comunhão que algumas comunidades sejam autorizadas, ou mesmo solicitem, celebrar com o rito pré-Reforma. Isso não pode mais ser permitido.

Será que a eterna luta entre tradicionalistas e modernistas na Igreja Católica algum dia terá fim?

A polarização entre um tradicionalismo que nega a tradição e um modernismo que não compreende que a verdadeira tradição da Igreja não se limita a nenhuma época é um mal. O catolicismo precisa dar um passo adiante, ou seja, ir além da lógica moderna e retornar ao seu centro, que não é apenas a liturgia, mas também a relação com outras confissões, com a liberdade de consciência, com outras religiões e com o mundo das emoções, da sexualidade e da vida familiar. Há, portanto, necessidade de novas formulações do testemunho cristão.

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