Relatório da ONU: a cada 10 minutos, uma mulher é assassinada em algum lugar do mundo

Foto: Jacob Zocherman/Ocha | ONU

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

03 Dezembro 2025

"Mulheres que nos falam de El Fasher, o epicentro da mais recente catástrofe no Sudão, relatam fome, deslocamento, estupro e bombardeios."

A reportagem é de Beatriz Guarrera, publicada por Global Sisters Report, 01-12-2025.

Com essas palavras, Ginevra Anna Mutavati, diretora regional para a África Oriental e Austral da ONU Mulheres, sediada em Nairóbi, Quênia, descreveu recentemente a jornalistas a situação na capital de Darfur do Norte. Após mais de 500 dias de cerco pelas Forças de Apoio Rápido, foram documentados abusos generalizados, incluindo execuções sumárias e violência sexual.

Ela observou que as mulheres continuam a suportar o fardo mais pesado. Mesmo em fuga, permanecem expostas a graves perigos. A ameaça, no entanto, não se limita a contextos de guerra. Em todo o mundo, a ONU estima que 840 milhões de mulheres — quase 1 em cada 3 — sofreram violência física ou sexual por parte de um parceiro, violência sexual por parte de um não parceiro, ou ambas, pelo menos uma vez na vida.

Os dados reforçam a importância do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado em 25 de novembro. A data também marcou o início da campanha Unite, com duração de 16 dias, que termina em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Esta campanha de 2025 tem como tema "Acabar com a violência digital contra mulheres e meninas" e apela aos governos para que acabem com a impunidade através de leis que a penalizem, e às empresas de tecnologia para que garantam a segurança das plataformas e removam conteúdos nocivos. A campanha também incentiva "os indivíduos a denunciarem, apoiarem as sobreviventes e desafiarem normas online prejudiciais".

Um novo relatório da ONU destaca uma das realidades mais trágicas: a cada 10 minutos, uma mulher é assassinada em algum lugar do mundo. No último ano, aproximadamente 50 mil mulheres foram vítimas de feminicídio, 60% das quais foram mortas por parceiros ou parentes. Em comparação, apenas 11% dos homens vítimas de homicídio foram mortos por familiares. A desigualdade de gênero e a misoginia continuam sendo os principais fatores.

Em média, 137 mulheres são assassinadas por dia. Embora ligeiramente inferior ao de 2023, esse número é influenciado pela falta de padronização dos dados entre os países. Nenhuma região ficou imune, e a África, mais uma vez, registrou o maior número de vítimas, com cerca de 22.000 no ano passado.

A ONU observa que o desenvolvimento tecnológico também contribuiu para novas formas de violência. Estas incluem o compartilhamento não consensual de imagens e informações, a divulgação de informações pessoais (doxxing) e vídeos deepfake criados com inteligência artificial. O assédio automatizado e as campanhas de ódio coordenadas têm como alvo mulheres de todas as idades.

Estima-se que mais de 38% das mulheres já sofreram violência online, enquanto 85% testemunharam abusos direcionados a outras mulheres em plataformas digitais.

"É muito importante para nós conscientizar as pessoas", disse a Irmã Abby Avelino, da Ordem de Maryknoll, coordenadora internacional da Talitha Kum, rede global liderada por irmãs que luta contra o tráfico de pessoas, com sede em Roma.

Ela explicou que a violência digital está cada vez mais disseminada e que o mundo online se tornou um importante local de exploração.

A Irmã Abby observou que os membros da rede se reuniram online em 25 de novembro para refletir sobre o impacto da guerra e dos conflitos na violência de gênero. "Nos concentramos de maneira particular em mulheres e meninas vulneráveis, onde quer que estejam — na Ucrânia, no Sul Global, em países africanos e também na Ásia", disse ela.

Ela acrescentou que a Europa continua a receber muitas mulheres vítimas do tráfico, especialmente aquelas forçadas a deslocar-se por redes de tráfico.

Entre as histórias recentes, a Irmã Abby relembrou o caso de uma jovem do Sudão do Sul que havia buscado ajuda. "Não sabíamos onde ela estava, mas nossa rede conseguiu localizá-la", explicou. A jovem havia sido levada para o Chade; por meio da cooperação com parceiros na Itália, ela conseguiu reencontrar sua mãe — também sobrevivente do tráfico humano — e elas se reuniram.

Segundo o último relatório de Talitha Kum, a rede acompanhou 47.000 vítimas e sobreviventes em 2024.

"Meus pensamentos hoje", concluiu a Irmã Abby, "estão com as mulheres e meninas afetadas pelo tráfico humano. Como Talitha Kum, renovamos nosso compromisso de permanecer perto daquelas que sofrem, oferecendo escuta, proteção e ternura, para que cada menina possa redescobrir a esperança, a segurança e a força para recomeçar. Juntas: 'Talitha Kum' — 'Menina, levanta-te'."

Leia mais