Francisco: “Que as homilias sejam breves e levem o Evangelho à vida de todos”

Foto: Vatican Media

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24 Junho 2024

O Pontífice continuou a catequese sobre o Espírito Santo. No centro está o tema da inspiração das Escrituras. Depois a indicação aos padres: os sermões não devem durar mais de 8 minutos, “senão as pessoas adormecem, e estão certas”.

O texto da catequese é do Papa Francisco, publicado por Avvenire, 13-06-2024. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o texto.

Caros irmãos e irmãs, bom dia, sejam bem-vindos! Continuamos a catequese sobre o Espírito Santo que guia a Igreja para Cristo, nossa esperança. Ele é o guia. A última vez contemplamos a obra do Espírito na criação; hoje vemos isso na revelação, da qual a Sagrada Escritura é testemunho inspirado por Deus e de autoridade.

Na Segunda Carta de São Paulo a Timóteo está contida esta afirmação: “Toda a Escritura é inspirada por Deus" (3,16). E outra passagem do Novo Testamento diz: “os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pd 1,21). Esta é a doutrina da inspiração divina das Escrituras, aquela que proclamamos como artigo de fé no Credo, quando dizemos que o Espírito Santo “falou mediante os profetas”. A inspiração divina da Bíblia. O Espírito Santo, que inspirou as Escrituras, é também Aquele que as explica e as torna perpetuamente vivas e ativas. De inspiradas, torna-as inspiradoras. “As Sagradas Escrituras inspiradas por Deus – afirma o Concílio Vaticano II – e redigidas de uma vez por todas, comunicam imutavelmente a palavra do próprio Deus e fazem ressoar a voz do Espírito Santo nas palavras dos profetas e dos apóstolos” (n. 21). Dessa forma o Espírito Santo continua, na Igreja, a ação de Jesus Ressuscitado que, depois da Páscoa “abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras.” (cf. Lucas 24,45). Pode acontecer, de fato, que certa passagem das Escrituras, que lemos tantas vezes sem muita emoção, um dia a leiamos em clima de fé e oração, e então aquele texto de repente se ilumina, nos fala, lança luz sobre um problema que estamos enfrentando, deixa clara a vontade de Deus para nós numa determinada situação.

A que se deveu tal mudança, senão a uma iluminação do Espírito Sagrado? As palavras da Escritura, sob a ação do Espírito, tornam-se luminosas; e naqueles casos se vive concretamente como é verdadeira a afirmação da Carta aos Hebreus: “a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes […]” (4,12). Irmãos e irmãs, a Igreja alimenta-se da leitura espiritual da Sagrada Escritura, isto é, da leitura feito sob a orientação do Espírito Santo que a inspirou. No seu centro, como um farol que ilumina tudo, há o evento da morte e ressurreição de Cristo, que cumpre o desígnio da salvação, realiza todas as figuras e as profecias, revela todos os mistérios escondidos e oferece a verdadeira chave de leitura de toda a Bíblia. A morte e ressurreição de Cristo é o farol que ilumina toda a Bíblia, e também ilumina a nossa vida. O Apocalipse descreve tudo isso com a imagem do Cordeiro que rompe os selos do livro “escrito por dentro e por fora, mas selado com sete selos” (cf. 5,1-9), a Escritura do Antigo Testamento.

A Igreja, Esposa de Cristo, é intérprete autorizada do texto inspirado da Escritura, a Igreja é a mediadora do seu anúncio autêntico. Visto que a Igreja é dotada do Espírito Santo – por isso é intérprete -, ela é “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3,15). Por quê? Porque é inspirada, mantida firme pelo Espírito Santo. E a tarefa da Igreja é ajudar os fiéis e todos que buscam a verdade a interpretar corretamente os textos bíblicos.

Uma forma de fazer a leitura espiritual da Palavra de Deus é a chamada lectio divina, uma palavra que talvez não entendamos o que significa. Consiste em dedicar um tempo do dia para a leitura pessoal e meditativa de uma passagem da Escritura. E isso é muito importante: todos os dias reserve um tempo para escutar, para meditar, lendo uma passagem das Escrituras. E por isso recomendo: tenham sempre um Evangelho de bolso e levem na bolsa, nos bolsos... Assim, quando vocês estão viajando ou quando têm um momento livre vocês o pegam e leem… Isso é muito importante para a vida. Peguem um Evangelho de bolso e durante o dia o leiam uma, duas, quando dá. Mas a leitura espiritual da Escritura por excelência é aquela comunitária que se faz na Liturgia, na Missa. Aí vemos como um evento ou um ensinamento, dado no Antigo Testamento, encontra o seu pleno cumprimento no Evangelho de Cristo. E a homilia, aquele comentário que faz o celebrante, deve ajudar a transferir a Palavra de Deus do livro para a vida. Mas a homilia para isso deve ser breve: uma imagem, um pensamento e um sentimento. A homilia não deve ir além dos oito minutos, porque depois desse tempo se perde a atenção e as pessoas adormecem, e estão certas.

Uma homilia deve ser assim. E isso quero falar aos padres, que falam muito, muitas vezes, e não se entende do que estão falando. Homilia breve: um pensamento, um sentimento e uma sugestão para a ação, sobre como fazer. Não mais do que oito minutos. Porque a homilia deve ajudar a transferir a Palavra de Deus do livro para a vida. E entre as muitas palavras de Deus que ouvimos todos os dias na Missa ou na Liturgia das horas, há sempre uma destinada especialmente a nós. Algo que toca o coração. Acolhida no coração, pode iluminar o nosso dia, animar a nossa oração. É uma questão de não a deixar cair no vazio!

Concluímos com um pensamento que pode ajudar a nos deixar apaixonados pela Palavra de Deus. Como certas peças musicais, a Sagrada Escritura também tem uma nota de fundo que a acompanha do início ao fim, e essa nota é o amor de Deus. “Toda a Bíblia – observa Santo Agostinho – nada mais faz do que narrar o amor de Deus" [1]. E São Gregório Magno define a Escritura como “uma carta de Deus todo-poderoso à sua criatura", como uma carta do esposo à esposa, e exorta a "aprender a conhecer o coração de Deus nas palavras de Deus" [2]. “Em virtude dessa revelação – afirma o Vaticano II – Deus invisível, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles para os convidar e admitir à comunhão com Ele” (Dei Verbum, 2).

Caros irmãos e irmãs, continuem lendo a Bíblia! Mas não se esqueçam do Evangelho de bolso: levá-lo na bolsa, nos bolsos e em algum momento do dia ler uma passagem. E isso tornará vocês muito próximos do Espírito Santo que está na Palavra de Deus. Que o Espírito Santo, que inspirou as Escrituras e agora emana das Escrituras, nos ajude a sentir esse amor de Deus nas situações concretas da vida. Obrigado.

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