Dono da Record pediu que fiéis deixassem de consumir notícias seculares

Edir Macedo, líder e fundador da Igreja Universal. (Foto: Reprodução | Folha Gospel)

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21 Setembro 2022

 

Terminou no domingo, 18, o jejum de informações e notícias seculares sugeridos pelo bispo Edir Macedo aos seguidores e seguidoras da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). A convocação do “Jejum de Daniel: o jejum determinado por Deus”, foi anunciada nas redes sociais e pastores o fizeram dos púlpitos.

A reportagem é de Edelberto Behs, jornalista.

O bispo Renato Cardoso explicou no programa Inteligência e Fé, do dia 23 de agosto, os propósitos do jejum: “receber o Espírito Santo”, ficar “longe dos prazeres deste mundo”, “se abster de entretenimento, músicas e notícias seculares”.

Outra recomendação: “Não perca muito tempo em mídias sociais. Se você não as utiliza para trabalhar, durante o Jejum de Daniel você deve se afastar um pouco delas para ter sua atenção exclusiva no recebimento do Espírito Santo”. Mas o crente pôde “consumir filmes, série e conteúdos que vão lhe ajudar a se aproximar de Deus”.

O Jejum de Daniel reporta-se ao profeta que recebeu uma mensagem de Deus e durante três semanas não comeu “nenhuma comida gostosa nem carne”, não bebeu vinho e nem penteou o cabelo. Mas não há referência bíblica quanto a um jejum de informações, deixando o povo alheio aos acontecimentos.

O jejum de informação para receber o Espírito Santo é uma inovação da IURD. “Assim como Daniel não se alimentou de manjares e alimentos desejáveis, você vai deixar de consumir esse tipo de conteúdo, que são prazerosos à carne”, explicou o bispo. Mas Cardoso não fez nenhuma recomendação sobre pentear o cabelo!

O jejum da informação e de notícias seculares levanta questões. Por que um jejum dessa natureza? Estaria relacionado à política, depois da enxurrada de notícias sobre a aquisição de 51 apartamentos pela família Bolsonaro em pagamento à vista e com dinheiro? E logo no período que antecede o primeiro turno da corrida presidencial? Edir Macedo é apoiador de Bolsonaro.

Não é o primeiro jejum de informação que a IURD convoca. De 25 de janeiro a 14 de fevereiro de 2019 aconteceu a primeira edição do gênero, talvez limitado a seus seguidores portugueses. Em vídeo, o bispo Edir Macedo pedia, então, que fiéis da igreja deixassem “de conversa fiada” e que só lessem livros cristãos e ouvissem música religiosa. Pedia para que desligassem a televisão e não acessassem a internet.

“Este apelo surge numa altura em que a IURD está no centro da polêmica, depois de uma reportagem da TVI noticiar que a igreja esteve alegadamente relacionada com o rapto e tráfico de crianças nascidas em Portugal”, noticiou em 19 de janeiro de 2019 o jornal Diário de Notícias, de Portugal.

O apelo do bispo no Brasil, líder da Record, um conglomerado de comunicação, com rede de TV, emissoras de rádio e jornais, ganha um caráter inusitado. Macedo sugeriu, implicitamente, que a gauchada seguidora da Universal não lesse, no período de 21 dias, notícias e reportagens publicadas no Correio do Povo, sintonizasse a Rádio Guaíba ou acessasse a TV Record!

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