Haiti. “País nas mãos de gangues, estamos atônitos e indignados com a impotência do Estado”, denunciam os bispos

No início de 2022, a ONU ajudou a realocar pessoas deslocadas pela violência de gangues em Porto Príncipe, Haiti. (Foto: Arquivo, Monica Chiriac | IOM Haiti)

Mais Lidos

  • Escravidão moderna, trabalhadores desprotegidos e precarização universalizada. Entrevista com Reginaldo Ghiraldelli

    LER MAIS
  • Médico defende cuidados paliativos no fim da vida e amenização total da dor em pacientes terminais. “O alívio deve ser na dor total: física, espiritual e emocional”, diz

    Cuidados paliativos: 86% das pessoas que precisam de auxílio no fim da vida são abandonadas. Entrevista especial com Angelo Atalla

    LER MAIS
  • A emergência de uma cultura livre na era da IA depende de restituir os comuns digitais que hoje vêm sendo capturados sem nenhuma contrapartida por parte das grandes plataformas digitais

    Desnaturalizar a IA é trazer à superfície sua estrutura fundada no trabalho comum. Entrevista especial com Leonardo Foletto

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

02 Agosto 2022

 

"A deterioração geral da situação no país nos preocupa cada vez mais como pastores deste povo que sofrer tanto". Assim começa a longa mensagem difundida pela Conferência Episcopal do Haiti, que lança mais um alarme sobre a presença agora descontrolada e sistemática de gangues armadas, que se somam a “corrupção, pobreza extrema, precariedade generalizada, sequestros, desconfiança interpessoal”. Um cenário em relação ao qual ninguém, nem ao nível institucional nem ao nível da população, parece reagir.

 

A reportagem é publicada por Agência SIR, 01-08-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Aliás, “o centro de Porto Príncipe tornou-se, nos últimos dias, palco de violentos confrontos entre gangues armadas ilegais, causando muitas vítimas entre a população civil sitiada e em situação de grande angústia. A própria polícia parece impotente”. A Catedral de Nossa Senhora da Assunção também foi atingida por um incêndio doloso na semana passada. Felizmente, os bombeiros conseguiram conter. Segundo as Nações Unidas, 471 pessoas morreram ou estão desaparecidas devido à onda de violência na última semana de julho.

 

A Conferência Episcopal diz estar “atônita e indignada com a impotência das autoridades do estado, que deixam o campo livre para que gangues fortemente armadas realizem com impunidade todos os seus atos premeditados. Eles sequestram, assaltam, destroem, matam, queimam e também desafiam os poderes constituídos, que parecem totalmente subjugados pelo que está acontecendo. Nos perguntamos: por que o Estado não age para reprimir com o rigor necessário dentro do Estado de Direito, para colocar os bandidos em posição de não prejudicar? É impossível neutralizar as fontes que fornecem armas e munições a grupos e indivíduos, ou pessoas intocáveis estão se beneficiando com isso?”.

 

A mensagem continua: “Unimos as nossas vozes àquelas de todos aqueles que sofrem com esta situação e que aspiram à segurança e à paz, para exigir uma intervenção imediata das autoridades do estado responsáveis pelo bem-estar dos cidadãos. É urgente trabalhar o mais rápido possível para desarmar as quadrilhas”. Os bispos se dirigem a “empresários, políticos, representantes das instituições e da sociedade civil, para trabalhar em sinergia para combater o flagelo da insegurança em todas as suas formas. Desta forma contribuiremos para a mudança desejada por todos. Não podemos continuar a viver como potenciais vítimas do banditismo que reina no país, nem podemos aceitar a situação em que nos encontramos hoje como se fosse normal.

 

Chegou a hora de acordar do nosso torpor, de dizer com todas as nossas forças: não à insegurança! Não aos sequestros! Não à legalização, por cumplicidade, da atividade dos bandos armados! Não a qualquer projeto de aniquilação do Estado!".

 

Leia mais