O Papa Francisco fala de um “poder econômico-tecnocrático-militar” e explica a sua visão geopolítica atual

Foto: Pixabay

Mais Lidos

  • Lula, sua última eleição e seus demônios. Artigo de Antonio Martins

    LER MAIS
  • Vozes de Emaús: Movimento Fé e Política faz história. Artigo de Frei Betto e Claudio Ribeiro

    LER MAIS
  • Parte do Sul Global, incluindo o Brasil, defende que países desenvolvidos abandonem os combustíveis fósseis primeiro. Para Martí Orta, não há espaço para ritmos nacionais distintos na eliminação de petróleo, gás e carvão. O pesquisador afirma que a abertura de novos projetos de exploração ignora os limites definidos pela ciência

    Cancelar contratos fósseis. Não ‘há tempo’ para transição em diferentes velocidades. Entrevista com Martí Orta

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

26 Março 2022

 

“Continua-se a governar o mundo como um ‘tabuleiro de xadrez’, onde os poderosos estudam as jogadas para estender o domínio às custas dos outros”.

 

A reportagem é publicada por Il Sismografo, 24-03-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

O Papa Francisco, hoje, em um discurso dirigido aos participantes do encontro promovido pelo Centro feminino italiano, explicou sua visão geopolítica propondo-a a seus interlocutores à luz do que é o mundo um mês após a agressão de Putin contra a Ucrânia. O que Francisco diz é bastante inédito e, acima de tudo, é relevante que ele tenha decidido expressar isso neste momento, especialmente quando o presidente Biden estava em Bruxelas e a OTAN confirmava o seu secretário-geral. Aqui está o texto oficial:

 

Sala Clementina

Quinta-feira, 24 de março de 2022

 

"Penso que para aquelas entre vocês que pertencem à minha geração seja insuportável ver o que aconteceu e está acontecendo na Ucrânia. Mas infelizmente isso é fruto da velha lógica de poder que ainda domina a chamada geopolítica. A história dos últimos setenta anos o demonstra: nunca faltaram guerras regionais; por isso eu disse que estávamos na terceira guerra mundial em pedaços, um pouco por toda parte; até chegar a esta, que tem uma dimensão maior e ameaça o mundo inteiro. Mas o problema básico é o mesmo: continua-se a governar o mundo como um 'tabuleiro de xadrez', onde os poderosos estudam as jogadas para estender o domínio às custas dos outros.

A verdadeira resposta, portanto, não são outras armas, outras sanções. Fiquei envergonhado quando li, sei lá, um grupo de países se comprometeu a gastar dois por cento, creio eu, ou dois por mil do PIB, na compra de armas, como resposta ao que está acontecendo agora. Uma loucura! A verdadeira resposta, como eu disse, não são outras armas, outras sanções, outras alianças político-militares, mas uma outra abordagem, uma forma diferente de governar o mundo já globalizado - não mostrando os dentes, como agora -, uma forma diferente de orientar as relações internacionais. O modelo do cuidado já está em ato, graças a Deus, mas infelizmente ainda está sujeito ao do poder econômico-tecnocrático-militar.

 

Leia mais