Quanto vale a vida? Um chamado a sermos conscientes da realidade do tráfico de pessoas

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27 Julho 2020

Fazemos parte de uma sociedade onde tem pessoas que pensam que tudo tem um preço, inclusive a vida do outro. Daí a pergunta com que a Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano (CEPEETH), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quer questionar a Igreja e toda a sociedade brasileira: “Quanto vale a vida?”.

Banner da campanha "Quanto Vale uma Vida?", da CNBB.

A reportagem é de Luis Miguel Modino.

Trata-se de uma campanha que ao longo desta semana, de 26 a 30 de julho, pretende mobilizar e sensibilizar a Igreja do Brasil, assim como toda a sociedade brasileira, para o enfrentamento ao tráfico de pessoas na semana do Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que todo ano é comemorado no dia 30 de julho. Junto com isso, a campanha também pretende chamar a atenção do poder público para a promoção e inclusão social das vítimas e a garantia de seus direitos.

Banner da campanha "Quanto Vale uma Vida?", da CNBB.

Este tempo de isolamento social, motivado pela pandemia da Covid-19, que no Brasil já atingiu 2,4 milhões de pessoas e provocou mais de 86 mil mortes, faz com que a mobilização neste ano aconteça virtualmente, através de vídeos, spots para rádio e materiais informativos sobre o tema, relacionados ao tráfico de mulheres, crianças e migrantes. Também está previsto um webinar com a participação do presidente da comissão, dom Evaristo Pascoal Spengler, da irmã Eurides Alves de Oliveira, que também faz parte da CEPEETH, e Roberto Marinucci, do Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios.

No Brasil, esse crime é especialmente grave, sendo considerado como uma forma de escravidão moderna, em palavras da irmã Rose Bertoldo, membro da Comissão Episcopal Pastoral Especial para o Enfrentamento ao Tráfico Humano. A religiosa, que faz parte do núcleo de Manaus da Rede um Grito pela Vida, enfatiza que “a Igreja do Brasil quer ajudar a dar visibilidade a esse crime que infelizmente é muito invisibilizado”.

Diante do silenciamento social, a religiosa do Imaculado Coração de Maria, destaca que “é de fundamental importância falar desse tema, porque infelizmente tem aumentado muito o número de pessoas vítimas do tráfico de pessoas, principalmente para fins de exploração sexual, e a Igreja do Brasil quer contribuir, somando-se a essa grande luta do Papa Francisco, que desde o início de seu pontificado tem falado muito e feito proposições de enfrentamento a esse crime que viola a vida de tantas pessoas”.

A Semana Coração Azul é um momento em que a Igreja do Brasil, através da Comissão de Enfrentamento ao Tráfico, quer pedir uma atuação firme das instituições públicas, para que haja um efetivo combate a esse mal e a punição de agentes criminosos. Não podemos esquecer que estamos diante de um crime de extrema gravidade, que desumaniza e transforma as pessoas em objetos, arrancando-lhes a dignidade e a liberdade, dois direitos essenciais. A maioria das vezes estamos falando de mulheres, crianças e adolescentes, aliciadas para a exploração sexual. Junto com isso, em segundo lugar, o tráfico de pessoas atinge a finalidade do trabalho escravo.

O chamado do Papa Francisco no combate ao tráfico de pessoas sempre tem sido muito presente em suas palavras e compromissos, que vê essa realidade como um drama, um flagelo atroz, uma chaga, que deve provocar ações eficazes de luta. Não podemos esquecer que atrás de cada vítima tem a história de uma pessoa, sempre enganada com falsas promessas que se tornam um pesadelo e deixam sequelas para a vida toda.

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