Morre de coronavírus Vovó Bernaldina, mestra indígena da cultura Macuxi que teve encontro com o Papa

Papa Francisco e Vovó Bernaldina. | Foto: Il Sismografo

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26 Junho 2020

Bernaldina José Pedro, de 75 anos, pertencia à comunidade Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, extremo Norte do estado. Ela ficou 10 dias internada no Hospital Geral de Roraima.

A reportagem é de Juliana Dama, publicada por G1, 24-06-2020.

Morreu nessa terça-feira (23), aos 75 anos, a indígena Bernaldina José Pedro, vítima da Covid-19. Vovó Bernaldina, como era conhecida, era considerada mestra da cultura Macuxi e passou 10 dias internada no Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista.

Vó Bernaldina, de 75 anos, mestra e anciã da cultura Macuxi. (Foto: Reprodução/Facebook/Jaider Esbell)

Vovó Bernaldina morava na comunidade Maturuca, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, extremo Norte do estado. A matriarca deixou seis filhos e 15 netos.

A morte de Vovó Bernaldina consternou organizações que trabalham em prol dos povos indígenas. O Conselho Indígena de Roraima (CIR) divulgou uma nota de pesar, onde lembrou a trajetória de Bernaldina.

"Possuía conhecimentos milenares do povo indígena como cantos, danças, artesanatos, medicina tradicional e rezas. Foi uma das mulheres protagonistas na defesa da homologação da T.I Raposa Serra do Sol. Jamais mediu esforços para lutar pelo seu povo e ainda nos dias atuais levava a nossa voz por onde passava, denunciando a violência contra os povos indígenas."

Em uma rede social, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também lamentou o óbito. "Mais uma perda gigante para os povos indígenas da Amazônia!".

“Depois de muito lutar, a guerreira precisou descansar e foi assim que Bernaldina José Pedro, a Meriná, foi compor com Makunaimî as constelações eternas. Vai meu amorzinho e ficamos cá com todos os seus ensinamentos, sobretudo a teimosia em permanecer alegre mesmo quando tudo remete a tristeza e solidão”, disse o artista plástico Macuxi Jaider Esbell, em uma rede social, ao divulgar o "luto universal" pela morte da indígena.

Jaider Esbell e Vovó Bernaldina. (Foto: Arquivo pessoal)

Esbell, que era filho adotivo de Berbaldina, chegou a organizar uma campanha virtual para custear e auxiliar no tratamento dela.

Segundo o artista, a vaquinha solidária continuará até 30 de junho. Agora, o valor arrecadado será destinado ao apoio financeiro dos familiares. Até o momento, a ação teve 427 apoiadores e arrecadou R$ 40,5 mil. A meta é R$ 50 mil.

Em novembro de 2018, a anciã se encontrou com o Papa Francisco durante audiência geral na Praça São Pedro, no Vaticano. Na ocasião, em que estava acompanhada de Esbell, entregou uma carta de denúncia ao pontífice pedindo por intercessão à ações do governo.

Vovó Bernaldina e Jaider Esbell em encontro com o Papa Francisco em novembro de 2018.
(Foto: Reprodução/Facebook/Jaider Esbell/Arquivo)

A sabedoria de Bernaldina foi retratada no livro 'Cantos e Encanto – Meriná Eremunkon', lançado em 2019.

A obra, escrita pela própria indígena e pelo escritor Devair Fiorotti, registrou os cantos de origem indígena, principalmente a Macuxi, e foi ilustrada por Esbell.

Bernaldina em São Paulo segura o sagrado pajé Maruwai/2019. (Foto: Reprodução/Facebook/Vó Bernaldina)

Conforme a Secretaria e Distrito Sanitário Especial Indígena (Sesai), até essa terça-feira (23), foram registradas 15 mortes de indígenas em razão da Covid-19 e 361 infectados em Roraima.

O dado da Sesai, no entanto, diverge dos números divulgados pela Coiab, onde constam 38 óbitos registrados até o domingo (21).

Ainda conforme a Coiab, que monitora casos de coronavírus entre indígenas em todo o país, as etnias que já registraram óbitos em Roraima foram: Macuxi (11), Taurepang (1), Warao (2), Yanomami (6), Wapichana (3), não identificado (16).

 

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