Cardeal filipino cobra os que fecharam os olhos diante dos abusos

Luis Antonio Tagle (Fonte: Wikimedia Commons)

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22 Fevereiro 2019

O arcebispo de Manila e presidente da Cáritas Internacional, cardeal Luis Antonio Tagle, cobrou hoje os bispos e todos aqueles que fecharam os olhos diante dos pedófilos, provocando uma "profunda ferida" nos fiéis, durante a histórica cúpula no Vaticano sobre a pedofilia.

A reportagem é publicada por La Vanguardia, 21-02-2019. A tradução é do Cepat.

O cardeal Tagle foi o primeiro dos nove relatores eleitos a apresentar seu trabalho nesta cúpula sem precedentes na história da Igreja e que abordará até domingo o flagelo dos abusos a menores por parte do clero.

Com emoção e até com lágrimas nos olhos, o cardeal filipino dirigiu-se aos 190 representantes da hierarquia da Igreja Católica presentes e disse: Como podemos expressar fé em Cristo quando fechamos os olhos para todas as feridas infligidas pelo abuso?

"Nossa falta de resposta ao sofrimento das vítimas a ponto de rejeitá-las e encobrir o escândalo para proteger os autores e as instituições prejudicaram nosso povo e deixaram uma ferida profunda em nosso relacionamento com os fiéis", apontou.

"Vocês não fugiram quando sentiram o fedor do lixo?", insistiu.

Tagle pediu aos bispos que assumam "a responsabilidade pessoal de levar cura a essa ferida no corpo de Cristo e se comprometer a fazer tudo o que esteja em seu poder e capacidade para ver que as crianças e as pessoas vulneráveis estão a salvo".

Pediu também para se aproximarem dos agressores para que "a justiça seja feita e os ajudar a enfrentar a verdade".

"Não se pode condenar o abuso e seguir em frente, temos que alcançar uma cura mais profunda", acrescentou.

O cardeal filipino explicou que para a Igreja é necessário reconstruir a confiança dos fiéis "fornecendo amor incondicional (às vítimas), repetidamente pedindo perdão e reconhecendo que não merecemos esse perdão".

Animou a se buscar soluções para "resolver os problemas sem que se repitam os mesmos mecanismos que queremos eliminar".

"A Igreja tem que ser uma comunidade de Justiça marcada pela comunhão e pela compaixão", disse.

A reunião sobre a proteção de menores que se concluirá no domingo com uma missa, começou hoje com o debate sobre a responsabilidade dos bispos em seu trabalho pastoral, espiritual e jurídico.

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