As tentativas de Bannon e da direita católica para orientar a cúpula do Vaticano sobre a pedofilia por um viés anti-homossexual

papa Francisco e Steve Bannon | Foto: The Daily Beast

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21 Fevereiro 2019

A direita católica italiana e anglo-saxônica está se articulando para dirigir os holofotes sobre a cúpula do Vaticano sobre a pedofilia do clero contra a homossexualidade das hierarquias. À manifestação silenciosa na Piazza San Silvestro na terça-feira e uma conferência de imprensa na sala de imprensa estrangeira onde, além do tradicionalista Roberto De Mattei da Fundação Lepanto participaram representantes da LifeSite (website pro-life norte-americano) e da The Remnant (revista quinzenal sintonia com os lefebvrianos), somou-se a confirmação de que Steve Bannon - o estrategista-chefe da campanha que levou Donald Trump à presidência dos Estados Unidos - estará em Roma para a cúpula no Vaticano contra pedofilia, que começa nesta quinta-feira.

A reportagem é de Maria Antonietta Calabrò, publicada por Huffington Post, 20-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini

Bannon é um grande defensor do cardeal Raymond Burke, um dos mais fortes opositores do papa Francisco, que recentemente lançou seu próprio site. E juntos tentarão usar a cúpula como uma oportunidade para denunciar aquela que eles consideram como a raiz dos abusos dos padres pedófilos e dos relativos acobertamentos: a homossexualidade do clero. Na esteira da denúncia do ex-núncio Carlo Maria Viganò.

Juntos "B & B" (Burke e Bannon) investirão mais uma vez contra o Papa Francisco considerado muito "soft" com os católicos homossexuais, o que teria deixado o campo livre aos abusadores. Além disso, Burke – e o cardeal alemão Brandmuller, isto é, os dois únicos cardeais sobreviventes dos "Dubia", os outros dois estão mortos - escreveram um apelo aos participantes da cúpula do Vaticano para que colocam no centro a questão homossexual. O mesmo foi feito por Viganò.

Mas é justamente isso que as vítimas sobreviventes dos abusos, como a irlandesa Marie Collins (uma mulher) ou o inglês Peter Saunders não querem: porque consideram que seja uma maneira de desviar a atenção da pedofilia do clero que tem também a ver com o crime dos abusos sexuais contra menores.

Collins escreveu no twitter que o abuso das meninas assim é ignorado. Saunders que foi excluída da Pontifícia Comissão sobre os menores após ter questionado o então ainda poderoso Cardeal George Pell (agora em julgamento na Austrália por abusos que de acordo com a acusação teria pessoalmente cometido) disse que muitas vítimas para quais trabalhou são garotas e esse fato lhe daria razão: "Não há nenhuma conexão entre pessoas homossexuais e pessoas que abusam de crianças". Embora ele tenha acrescentado: "Uma vez que você está dentro da Igreja e você é gay, tem que ficar calado e isso impede você de denunciar os abusos dos quais fica sabendo."

Bannon disse que quer criar um tribunal que julgaria os abusos sexuais na Igreja em paralelo com a justiça norte-americana, de modo a destacar os sacerdotes homossexuais.

Também Fréderic Martel, o escritor francês autor de "Sodoma", que estará nas livrarias a partir de quinta-feira para coincidir com o início da cúpula do Vaticano, foi criticado pelos representantes das vítimas quando sugeriu que existe "uma ligação complexa" entre os padres homossexuais e o tema dos abusos. Martel também disse que na sexta-feira foi entregue ao Papa uma cópia de seu livro (em espanhol) por um importante bispo espanhol.

O Papa Francisco ao receber os peregrinos da Diocese de Benevento, falando de Padre Pio, abordou indiretamente o assunto, reiterando seu juízo sobre uma presença diabólica em relação à Igreja. Ele disse: "Não se pode viver uma vida inteira acusando, acusando, acusando a Igreja. O ofício de acusador de quem é? Quem é aquele que a Bíblia chama do grande acusador? O diabo! E aqueles que passam a vida acusando, acusando, acusando, são - eu não vou dizer filhos, porque o diabo não tem nenhum - mas amigos, primos, parentes do diabo. E não, isso é errado, devem ser assinalados os defeitos para corrigir, mas no momento em que se assinalam os defeitos, se denunciam os defeitos, se ama a Igreja. Sem amor, isso é do diabo. Ambas as coisas tinham São Padre Pio, ele amava a Igreja, com todos os seus problemas e as suas adversidades, com os pecados de seus filhos. Não se esqueçam disso".

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