Sem cálculos. Apenas dignidade para as crianças

Foto: Acnur/Ying Hu

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29 Setembro 2026

O tema do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 27 de setembro, é um apelo para concentrar “nossa atenção nos menores diretamente envolvidos na experiência da migração e da fuga” e na “solicitude” para com eles: “Mesmo uma só dessas crianças.”

A informação é de Giada Aquilino, publicada por L’Osservatore Romano, 26-09-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.

O Papa Leão XIV destaca isso em sua Mensagem para a ocasião, que chega à sua 112ª edição. No texto, publicado em agosto passado, o Pontífice recorda que o Evangelho “nos convida a não fazer cálculos”: cada criança, cada ser humano, “possui uma dignidade infinita”. Diante de cada menor migrante, reflete: "somos chamados a realizar um ato de humanidade e de fé: pois na criança podemos acolher e encontrar o Senhor". Infelizmente, constata o Papa, os menores migrantes são "mais facilmente invisíbilizados, porque carecem de adultos para protegê-los e sustentá-los". Por isso, é "necessário intervir nos países de origem para eliminar as eventuais causas que obrigam as pessoas a fugir" e "oferecer proteção e acolhimento nos países de trânsito e de destino". Depois, na audiência geral da última quarta-feira, o reiterado apelo sobre a "responsabilidade de todos: que cada um se sinta envolvido na vida desses jovens, que devem ser sempre tutelados e assistidos".

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Segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), mais de 117 milhões de pessoas em todo o mundo estão atualmente deslocadas pela força, o que significa "uma em cada 70 pessoas na Terra", e "as crianças suportam um fardo desproporcional: quase 40% dos refugiados são menores", lembrou Dylan Corbett, Diretor Executivo do Hope Border Institute, que atua na fronteira entre os EUA e o México, durante um webinar organizado nesta semana pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, como parte da campanha para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado.

São pessoas desenraizadas de lugares como o Sudão, a República Democrática do Congo, a Ucrânia, o Afeganistão, o Oriente Médio assolado por tantos conflitos, o Mianmar: fogem de suas terras natais devido à guerra, mas também por causa de pobreza, violências e desastres ambientais, e os números que espelham essa realidade estão em contínuo, dramático crescimento. No entanto, esses migrantes não são "números nem arquivos", são "pessoas com uma família e uma casa" deixadas para trás, "com sonhos que ninguém tem o direito de desprezar", como o Papa havia ressaltado em junho - durante sua viagem apostólica à Espanha - no porto de Arguineguín, em Las Palmas de Gran Canaria.

"Diante dos pobres, dos que sofrem ou de uma criança, não adianta buscar explicações ou preconceitos ocultos. Devem simplesmente ser acolhidos", escreve o Arcebispo de Palermo, Dom Corrado Lorefice, presidente da Fundação Migrantes da Conferência Episcopal Italiana (CEI), em seu editorial para uma edição especial da revista Migranti Press dedicada à ocasião. "É inacreditável", observa ele, "a crítica dirigida à comunidade cristã, acusada de 'assistencialismo ingênuo' e de 'fazer política' quando fala de acolhimento. A Igreja não cultiva sentimentalismos nem faz política: vive o Evangelho". Além do aprofundamento em sua publicação mensal, o organismo pastoral da CEI para os migrantes preparou uma série de matérias e materiais sobre o tema. Inúmeras iniciativas foram organizadas por dioceses em todo o mundo para celebrar a data em nível local. Pois é "dever das instituições públicas, mas também da sociedade civil como um todo e da Igreja", vigiar "pelo respeito da dignidade de cada pessoa", como o Papa nos recordou em Lampedusa, em julho passado. Para marcar a ocasião, a Igreja italiana se reunirá simbolicamente no domingo em Siena para uma Missa, às 11h, na Basílica de San Bernardino all’Osservanza, presidida pelo Arcebispo de Siena-Colle Val d’Elsa-Montalcino e Bispo de Montepulciano-Chiusi-Pienza, Cardeal Augusto Paolo Lojudice.

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