24 Setembro 2026
A viagem do Papa ao país vizinho aborda a eutanásia, a responsabilização por abusos, a paz na Europa e o aumento dos batismos de jovens adultos, tudo em defesa da dignidade humana.
O artigo é do padre jesuíta Antonio Spadaro, publicado por Religión Digital, 23-09-2026.
Eis o artigo.
A visita do Papa Leão XIV à França, de 25 a 28 de setembro, tem como lema uma frase do Evangelho de João: “Para que o mundo tenha vida”. O Papa chega a um país que acaba de promulgar uma lei que permite o suicídio assistido, e a frase dificilmente pode ser interpretada como neutra. No entanto, o itinerário permanece à margem dessa batalha política.
Em seu primeiro dia, Leão se reunirá com o presidente Emmanuel Macron e as instituições da República no Palácio do Eliseu, mas abordará questões relacionadas ao fim da vida em Lourdes, junto aos doentes e idosos, de acordo com o principal organizador da viagem.
Em outras palavras, a defesa da vida é confiada à proximidade com aqueles que sofrem, antes de se tornar uma disputa com a lei.
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Ao lado da França laica, existe outra França, que não aparece nas pesquisas sobre frequência à missa: a França dos adultos que buscam o batismo. Na Páscoa passada, havia mais de 13 mil deles, mais do que o triplo do número de uma década atrás, e a maioria tinha menos de quarenta anos. Quatro em cada dez se converteram à fé após uma doença ou um falecimento.
A vigília da juventude no Stade de France e o encontro em Paris com os catecúmenos e os recém-batizados foram planejados pensando neles, assim como a missa de vésperas com o clero na reconstruída Notre-Dame, onde uma Igreja cansada descobrirá o quão pronta está para abrir suas portas.
O problema que aguarda o Papa é de natureza prática: como podem as paróquias envelhecidas, com poucos padres, abrir espaço para pessoas que chegam sem tradição cristã em suas famílias e com perguntas que o antigo catecismo jamais previu?
O que se espera de Leão não é tanto uma palavra de encorajamento, mas sim uma orientação sobre como acompanhar esse crescimento. Lourdes é o ponto central da viagem: o Papa permanecerá lá da tarde de 25 de setembro até o amanhecer de 28 de setembro, mais tempo do que em qualquer outra cidade.
Ele se encontrará com os bispos, com os doentes que estão sendo cuidados no santuário e, em particular, com diversas vítimas de abuso. Assim, o mesmo lugar abarca tanto a fragilidade dos corpos quanto as feridas infligidas pela própria Igreja.
A esperança reacendida pelos recém-batizados não anula a dívida para com aqueles que foram traídos, e a credibilidade do cristianismo na França também depende disso.
Na UNESCO, onde será assinado um acordo comemorativo dos 75 anos de relações com a Santa Sé, o tema da vida está sendo ampliado para incluir educação, arte e inteligência artificial, com promessas de referências à Magnifica Humanitas, a encíclica de Leão XVI.
Aqui, a dignidade humana transcende os limites da bioética e influencia a forma como uma civilização molda seu povo e decide o que dar às máquinas.
A última parada é Metz, em uma região que mudou de mãos entre a França e a Alemanha quatro vezes ao longo de setenta anos.
Após um encontro inter-religioso que culminará em uma declaração conjunta, o Papa falará sobre as raízes da Europa, a paz e a unidade do continente.
Há guerra nas fronteiras da União, e um Papa do outro lado do Atlântico escolheu uma região fronteiriça para lembrar aos europeus as guerras que forjaram a sua coexistência.
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