11 Setembro 2026
"Talvez seja precisamente aqui que possamos encontrar uma interpretação frutífera para a questão. No século passado, tanto o protestantismo quanto o catolicismo repensaram sua relação com a 'prática litúrgica', descobrindo-a como um nível particularmente delicado de identidade", escreve Andrea Grillo, teólogo italiano, publicado por Come se non, 10-09-2026.
Eis o artigo.
Em um texto com um título tão impactante quanto seu conteúdo, Fulvio Ferrario levanta, de uma nova perspectiva, a antiga questão da adoração versus vida. Este é um tema intensamente debatido não apenas entre protestantes, mas também entre católicos. E ele traça, com uma análise bastante rigorosa, o "suicídio do protestantismo" no crescente distanciamento dos "crentes" da celebração litúrgica dominical. A questão não se resume a "números", embora as porcentagens de "observância dominical" em ambos os contextos, protestante e católico, sejam alarmantes (3% contra 7%).
Lida através da lente inestimável de Ferrario, a questão é muito séria: a secularização é, antes de tudo, "autosecularização". Ferrario afirma de forma contundente no final de seu texto: a questão das palavras a serem encontradas para falar ao mundo, que assombra as igrejas hoje, talvez decorra do esquecimento de que a Igreja já encontrou uma "palavra", que é aquela que a convoca, ao menos todos os domingos.
Nesta reflexão, que considero muito importante, o "culto evangélico" e a "missa católica", apesar de suas importantes diferenças, são práticas muito semelhantes. Sua falha enfraquece a "identidade" eclesial. Por essa razão, continua Ferrario, a tarefa de evangelizar, que une todos os cristãos, deve começar com a evangelização de si mesmo, da própria Igreja, aberta a ser profundamente tocada pela Palavra e, nós católicos poderíamos acrescentar, pelo Sacramento.
Como podemos evitar essa "eutanásia coletiva", que se justifica com fórmulas que se tornaram transconfessionais? Tentemos evocá-las, a começar pelas que Ferrario recordou:
- Adoração e vida não são diferentes.
- Nossa paróquia é o mundo.
- Os sacramentos não são ritos, mas encontros pessoais.
- O que importa é a caridade, todo o resto é secundário.
- A verdade do pão eucarístico é que ele é o pão partido pelos pobres.
Essas afirmações, que em si mesmas são todas legítimas e em alguns casos até marcaram certas tradições de forma muito acentuada, se tomadas de forma absoluta, interrompem a relação entre Cristo e a Igreja, que sempre passa também pela mediação ritual, com seus espaços e seus tempos.
Ferrario recorda acertadamente um ponto fundamental que distingue as práticas evangélicas das católicas: a ausência, entre os protestantes, do tema do "preceito festivo". Por outro lado, no contexto católico, a maior resistência (não particularmente reconfortante) advém da insistência no nível "imperativo", aliada ao valor do testemunho (que Ferrario chama de propaganda) que o papado exerce no catolicismo, tanto externa quanto internamente. Isso não altera, contudo, o fato de que todos os papas recentes, de João Paulo II a Leão XIV, enfatizaram, em algum momento, a inadequação da categoria de "preceito" para salvar a prática litúrgica.
Talvez seja precisamente aqui que possamos encontrar uma interpretação frutífera para a questão. No século passado, tanto o protestantismo quanto o catolicismo repensaram sua relação com a "prática litúrgica", descobrindo-a como um nível particularmente delicado de identidade. A própria palavra "prática" corre o risco de ser mal compreendida, degradando-se a uma mera "observância externa". Uma prática, ao contrário, é um modo de vida, uma maneira de ordenar o mundo e a história. Um destino comum, apesar das diferenças em suas respectivas tradições, diz respeito a evangélicos, católicos (e tradições orientais): como recuperar o valor original da "convocação eclesial", da "assembleia litúrgica", do culto dominical, da missa dominical, da Divina Liturgia? Um teólogo evangélico de grande importância para os séculos XX e XXI afirmou isso com veemência: o culto ritual e o culto espiritual são cooriginais. Lida por um católico, essa frase torna-se desestabilizadora, de uma forma frutífera. Em última análise, essa expressão pode ser usada para expressar toda a turbulência que o catolicismo vivenciou nos últimos 200 anos, começando com Rosmini e Guéranger, e que hoje afeta a própria identidade de nossas comunidades: que papel atribuímos à "frequência litúrgica" na identidade dos cristãos católicos, evangélicos e bizantinos?
Creio que, neste assunto, o contexto católico ainda pensa de forma demasiado burocrática. Não considera se, no batismo de uma criança, nenhum dos familiares deve receber a comunhão. Não considera se, nas inúmeras festas patronais que agitam a vida das comunidades italianas, o foco não deve ser a celebração familiar, mas sim a escuta da Palavra ou a participação na comunhão. A prática persiste, mas que forma ela molda? Como ela molda?
Talvez seja precisamente aqui, em nosso modo de raciocinar, que devamos reconhecer a dívida que o catolicismo contraiu para com outras denominações cristãs ao longo dos últimos 60 anos. Por isso, ao ler as palavras de Fulvio Ferrario, vi, em uma tradição diferente, as mesmas questões que o catolicismo deve abordar, ainda que com imagens e hábitos distintos. Dessa perspectiva, compartilhar essas questões só pode trazer benefícios. E a força com que Ferrario fala do suicídio protestante, devido à falta de participação, permite-nos falar, por analogia, do suicídio católico, devido a uma distorção da participação: a substituição do calendário pelo ano litúrgico é, por exemplo, uma forma pela qual nós, como católicos, podemos experimentar uma nova irrelevância da fé e da Igreja, ao mesmo tempo que preservamos a banda, o prefeito com sua faixa e os fogos de artifício. Essa nova irrelevância "por excesso" é pelo menos tão dramática quanto a crise litúrgica evangélica "por deficiência".
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