Pampa gaúcho encolhe: destruição do bioma no RS é maior do que no Uruguai e na Argentina

Foto: Romain Chollet/Unsplash

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10 Setembro 2026

Entre 1985 e 2024, o Pampa teve uma redução de 11,3 milhões de hectares de sua biodiversidade nativa. A perda do bioma é consequência da conversão dos espaços em áreas agrícolas. Apenas no Rio Grande do Sul foram 3,9 milhões de hectares de campos naturais perdidos – contra 3,7 milhões de hectares na Argentina e 2,9 milhões de hectares no Uruguai. Os dados são do novo levantamento do MapBiomas, divulgado na última sexta (4). 

As informações são publicada por Matinal, 09-09-2026.

No RS, a área utilizada para silvicultura, que ocupava 44 mil hectares em 1985, passou a ocupar 738 mil hectares em 2024 – um aumento de mais de 1500%. Já a área destinada a cultivos anuais e perenes, como a soja, foi de 4,8 milhões para 7,8 milhões de hectares, um crescimento de 63,2%.

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A degradação do bioma, além de colocar em risco espécies de fauna e flora nativas da região, ocorre em um contexto de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos na região pampeana. Segundo o pesquisador do MapBiomas, Eduardo Vélez, perder a vegetação nativa é abrir mão de uma espécie de garantia para o futuro, uma vez que o ecossistema é adaptado para lidar com extremos, a exemplo da sua capacidade de regulação hídrica.

“O efeito da vegetação nativa para atenuar os efeitos danosos desses fenômenos tem sido pouco valorizado e quase não existem medições quantitativas do quanto a perda dessa vegetação impacta a intensidade das enchentes. Mas impacta e muito. Manter a vegetação nativa é um tipo de solução baseada na natureza, que não depende de obras caras de engenharia”, afirmou o pesquisador.

Ainda restam cerca de 6 milhões de hectares de campos nativos no Estado. Para Vélez, as políticas devem se concentrar não apenas em interromper as perdas, mas também em recuperar o que já foi degradado, conciliando produção e preservação. “É possível manter campo nativo e produzir sobre ele”, declara o pesquisador. Essa combinação representa um diferencial do Pampa: a atividade econômica é capaz de conviver com a biodiversidade, em vez de necessariamente substituí-la.

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