Dom Udo Markus Bentz: proibir o AfD não eliminará o populismo de direita

AfD (Foto: Religión Digital)

Mais Lidos

  • Crise no STF após divulgação de conversas entre Moraes e Vorcaro: como chegamos até aqui?

    LER MAIS
  • Gabinete de Mendonça ouviu Vorcaro "a pedido da defesa"

    LER MAIS
  • “Os revolucionários não fazem revoluções, os reformistas não reformam, e a extrema-direita está crescendo”. Entrevista com Pablo Stefanoni

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

04 Setembro 2026

Proibir o AfD – e então o populismo de direita desaparecerá? O arcebispo Bentz não acredita que seja tão simples. Ele defende um debate substancial com o AfD e um diálogo com seus eleitores.

A informação é publicada por Katholisch, 03-09-2026.

O arcebispo de Paderborn, Dom Udo Markus Bentz, acredita que proibir o partido AfD (Alternativa para a Alemanha) é insuficiente para conter o populismo de direita. "Não conseguiremos eliminar o populismo de direita, nem mesmo com a proibição de partidos", disse o arcebispo a jornalistas em Paderborn na noite de quarta-feira. Em vez disso, afirmou, é preciso expô-lo. Para ele, o populismo de direita é uma forma de entorpecimento. "Estou entorpecido pela raiva, pelo medo e pelas promessas, a ponto de nem sequer perceber a verdadeira transformação social que está em jogo", disse Bentz poucos dias antes das eleições estaduais na Saxônia-Anhalt.

Ao mesmo tempo, o arcebispo alertou contra uma condenação generalizada dos eleitores da AfD. Ele afirmou que não queria, de forma alguma, se envolver em "ataques aos eleitores". "O voto secreto é um dos valores mais importantes de uma democracia."

Segundo Bentz, a Igreja deve, em vez disso, buscar o diálogo com os católicos que se identificam politicamente com o populismo de direita.

🔍 Adicione o Instituto Humanitas Unisinos – IHU às suas fontes favoritas do Google

A igreja deve apresentar-se com confiança

O arcebispo exortou a Igreja a assumir um papel político mais assertivo. Seu engajamento com o AfD e o populismo de direita não deve dar a impressão de que está meramente defendendo seus próprios interesses, como o imposto eclesiástico, os subsídios estatais ou sua posição institucional. A Igreja deve deixar claro seu compromisso com questões que afetam a sociedade como um todo. "Nós, como Igreja, precisamos de soberania, não de uma contemplação ansiosa do próprio umbigo", disse Bentz. A Igreja deve ser um "ninho" de fervor pela liberdade, justiça, democracia e dignidade humana.

Segundo o arcebispo, os partidos populistas de direita aproveitam-se dos medos e descontentamentos sociais existentes, amplificando-os e explorando-os simultaneamente. Ao fazerem isso, confundem problemas reais com problemas percebidos ou projetados. Bentz citou a migração como exemplo, tema central da campanha do AfD na Saxônia-Anhalt para as eleições de domingo. No entanto, ele argumentou que os verdadeiros desafios são as mudanças demográficas, os problemas econômicos, a saúde e a educação.

Bentz também apontou para os acontecimentos em outros países. O populismo de direita está atualmente mudando o mundo drasticamente, mas, em sua opinião, isso não levou a nenhuma melhoria real. Ele citou o Brexit e os desdobramentos políticos na Polônia, Hungria e Estados Unidos como exemplos. A tarefa da Igreja, disse ele, é analisar criticamente esses acontecimentos e encorajar as pessoas a avaliarem as promessas políticas em relação às suas consequências reais.

Leia mais