21 Agosto 2026
Os participantes procuram equilibrar o diálogo Norte-Sul e construir alternativas à extrema-direita que avança no continente.
A reportagem é de Mar Centenera, publicada por El País, 21-08-2026.
Neste fim de semana, Montevidéu se tornará o epicentro do debate político progressista nas Américas. A capital uruguaia sediará o III Congresso Pan-Americano, um fórum parlamentar que reúne mais de cem legisladores, ex-presidentes, ministros e outras figuras de destaque de 15 países da região. Em um contexto em que políticas populistas punitivas ou autoritárias ganham força, os participantes buscam construir alternativas e estabelecer um diálogo mais equilibrado entre o Sul e o Norte do continente.
As ideias do falecido presidente uruguaio Pepe Mujica permearão os debates em um evento que será inaugurado nesta sexta-feira por seu herdeiro político, o atual presidente, Yamandú Orsi. David Adler, coordenador do Congresso Pan-Americano, destaca o papel do Uruguai como um farol para as forças progressistas em todo o mundo. "Nos Estados Unidos, nossa sociedade enfrenta a perseguição de um governo cada vez mais autoritário, e temos muito a aprender com a sociedade uruguaia, que possui uma memória muito viva e aprofundou suas raízes democráticas", observa Adler.
Sob o lema "Solidariedade entre os Povos, Soberania entre as Nações", o encontro busca construir posições comuns diante dos desafios atuais, como o enfraquecimento da ordem internacional, as migrações forçadas, o aumento do custo de vida e o avanço do crime organizado, entre outros.
Autocrítica
Adler destaca que as recentes derrotas eleitorais da esquerda em países como Equador e Colômbia impõem um período de autocrítica, mas também uma oportunidade para compartilhar iniciativas que ajudem a reconstruir um tecido social fragmentado. "Não chegamos a uma era de ouro, mas sim ao pleno reconhecimento dessas derrotas. É por isso que há sessões a portas fechadas para discutir francamente as melhores práticas e também experimentos que não tiveram repercussão na população", afirma o coordenador do encontro.
O Congresso Pan-Americano foi criado em 2014 em Bogotá, por iniciativa do então presidente colombiano Gustavo Petro, e no ano seguinte foi transferido para o México. De Montevidéu, os organizadores mantêm seu compromisso de promover um diálogo mais equilibrado entre a América do Norte e a América do Sul. "Temos o Fundo Monetário Internacional e a Organização dos Estados Americanos, ambos com sede em Washington, o que demonstra uma estrutura em que o Norte fala e espera que o Sul obedeça. Queremos inverter os termos: que o Sul fale e o Norte ouça", enfatiza Adler.
A delegação uruguaia será chefiada pela vice-presidente Carolina Cosse e contará também com a participação do secretário da Presidência, Alejandro Sánchez, e uma ampla representação de legisladores.
Do exterior, estão viajando os ex-presidentes Ernesto Samper (Colômbia) e Gabriel Boric (Chile); a secretária nacional do Morena, Carolina Rangel; o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof; o senador e coordenador de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores do Brasil, Humberto Costa; e os congressistas americanos Pramila Jayapal e Jesús García.
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