Cacau, café e açúcar já estão mais caros antes mesmo do “Super El Niño”

Foto: Pixabay

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20 Agosto 2026

Combinação do fenômeno com restrições à oferta de fertilizantes pode reduzir produtividade, elevar preços e ampliar insegurança alimentar.

A informação é publicada por ClimaInfo, 19-08-2026. 

A cada novo relatório de agências climáticas que aumenta a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, os preços de importantes soft commodities (produtos agrícolas tropicais) sobem juntos, refletindo o prêmio de risco para as safras de 2026/27 e de 2027/28, explica a CNN Brasil. Um levantamento da consultoria StoneX mostra que o mercado internacional já precifica o impacto do clima nos contratos futuros com destaque para culturas tropicais como café, cacau e açúcar.

Os contratos futuros de cacau negociados na Bolsa de Nova York acumulam alta de mais de 40% desde o início de fevereiro. A escalada ocorre mesmo com uma oferta maior neste momento, devido ao avanço das entregas no oeste africano e à recuperação dos estoques certificados.

As cotações seguem acima de US$ 6 mil por tonelada, sustentadas pelo impacto iminente do El Niño nas lavouras da África Ocidental, informa a Globo Rural. Segundo o portal Trading Economics, os operadores estão cada vez mais considerando a possibilidade de condições restritivas na próxima temporada.

No caso do café, os contratos futuros do arábica subiram 35% desde junho. E os do robusta tiveram 20% de alta em média nesse mesmo período. Parte dessa alta reflete o atraso na colheita da safra brasileira, que influenciou o ritmo mais lento das exportações. Mas outro motivo é o aumento do prêmio de risco climático para a próxima safra de 2027/28, destaca a StoneX.

Os preços do açúcar também já reagem ao El Niño, segundo a consultoria. Na Tailândia, as chuvas estão 20% abaixo da média. Enquanto na Índia as monções acumulam precipitação 11% abaixo do histórico até o momento. Combinação que reforça o pessimismo quanto à oferta de 2026/27 dos dois países. Com isso, os contratos futuros em Nova York acumulavam alta de quase 18% em um mês.

A agricultura mundial está diante de uma combinação especialmente perigosa, segundo a CNN Brasil. Há menos fertilizantes disponíveis devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que restringiu a oferta, justamente quando o clima ameaça reduzir a produção.

Em tempo

O governo federal brasileiro avalia ampliar a compra de milho para fortalecer os estoques públicos e evitar problemas de desabastecimento diante da perspectiva de um “Super El Niño” nos próximos meses. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) discute com os ministérios o aumento do limite de aquisição anual do Programa de Vendas em Balcão (ProVB), destinado a atender à demanda por grão de pequenos criadores para ração animal, de 50 mil para 80 mil toneladas em 2026, informam O Globo e Brasil 247.

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