21 Agosto 2026
Como escreveu um teólogo: “A breve declaração ‘Creio que Jesus é o Filho de Deus’ significa algo completamente diferente quando proferida por Francisco de Assis ou por um dos ditadores sul-americanos da atualidade. O Deus desses homens não é o mesmo, ou pelo menos, o Deus que cada um invoca para guiar sua conduta não é o mesmo.”
O artigo é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 17-08-2026.
Eis o artigo.
“Mas e vocês? Quem dizem que eu sou?” Essa pergunta de Jesus não se dirige apenas aos seus primeiros seguidores. É a pergunta fundamental que nós, que professamos ser cristãos, devemos sempre responder.
Nossa primeira reação pode ser buscar rapidamente uma resposta doutrinária e confessar rotineiramente que Jesus é o "Filho de Deus encarnado", o "Redentor" do mundo, o "Salvador" da humanidade. Sem dúvida, esses são títulos muito solenes e ortodoxos, mas podem ser proferidos sem qualquer significado real.
A pergunta de Jesus não se limita a pedir nossa opinião. Ela nos desafia, sobretudo, quanto à nossa atitude para com ele. E isso se reflete não apenas em nossas palavras, mas especialmente em nossas ações concretas ao segui-lo. Como escreveu um teólogo:
"A breve afirmação 'Creio que Jesus é o Filho de Deus' significa algo completamente diferente se for proferida por Francisco de Assis ou por um dos atuais ditadores sul-americanos. O Deus desses homens não é o mesmo, ou pelo menos não o Deus que cada um invoca para guiar sua conduta."
As palavras de Jesus exigem uma escolha radical. Ou Jesus é apenas mais um personagem entre tantos outros na história, ou ele é a Pessoa decisiva que nos proporciona a compreensão definitiva da existência, dá direção decisiva às nossas vidas e nos oferece esperança definitiva.
A pergunta "Quem vocês dizem que eu sou?" assume então um novo significado. Não se trata mais de uma pergunta sobre Jesus, mas sobre nós mesmos. Quem sou eu? Em quem acredito? De que perspectiva oriento minha vida? O que significa a minha fé?
Devemos sempre lembrar que a fé não se resume às fórmulas que pronunciamos. Para melhor compreender o alcance do que acredito, é necessário examinar como vivo, minhas aspirações e meus compromissos.
Portanto, a pergunta de Jesus, mais do que um exame da nossa ortodoxia, deveria ser um chamado a um modo de vida cristão. Claramente, não se trata de dizer ou acreditar em qualquer coisa sobre Cristo. Mas também não se trata de fazer profissões solenes de fé ortodoxa apenas para depois viver muito distante do espírito que essa própria proclamação de fé exige e implica.
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