17 Abril 2026
A história dos discípulos a caminho de Emaús descreve a experiência de dois seguidores de Jesus enquanto caminhavam de Jerusalém até a pequena vila de Emaús, a cerca de oito quilômetros da capital. O narrador faz isso com tamanha maestria que nos ajuda a reacender nossa fé em Cristo ressuscitado ainda hoje.
O artigo é de José Antonio Pagola, teólogo espanhol, publicado por Religión Digital, 13-04-2026.
Eis o artigo.
Dois discípulos de Jesus deixam Jerusalém, abandonando o grupo de seguidores que se formara ao seu redor. Com a morte de Jesus, o grupo começa a se desfazer. Sem ele, não há razão para continuar se reunindo. O sonho se desfez. Com a morte de Jesus, a esperança que ele despertara em seus corações também morre. Não está algo semelhante acontecendo em nossas comunidades? Não estamos deixando a fé em Jesus morrer?
Contudo, esses discípulos continuam falando sobre Jesus. Eles não conseguem esquecê-lo. Discutem o que aconteceu. Tentam encontrar algum significado no que vivenciaram com ele. “Enquanto conversavam, o próprio Jesus se aproximou e caminhou com eles.” É o primeiro gesto do Senhor Ressuscitado. Os discípulos não conseguem reconhecê-lo, mas Jesus já está presente, caminhando ao lado deles. Será que Jesus não caminha hoje, oculto, ao lado de tantos fiéis que deixam a Igreja, mas continuam a se lembrar dele?
A intenção do narrador é clara: Jesus se aproxima quando os discípulos se lembram dele e falam dele. Ele se faz presente onde quer que seu Evangelho seja discutido, onde quer que haja interesse em sua mensagem, onde quer que seu modo de vida e sua missão sejam abordados. Não é Jesus tão ausente entre nós justamente porque falamos tão pouco dele?
Jesus está interessado em conversar com eles: “O que vocês estão conversando enquanto caminham?” Ele não se impõe revelando sua identidade. Ele os convida a continuar compartilhando suas experiências. Ao conversarem com ele, eles descobrirão sua cegueira. Seus olhos se abrirão quando, guiados por suas palavras, embarcarem em uma jornada interior. É assim. Se nós, na Igreja, falarmos mais sobre Jesus e conversarmos mais com ele, nossa fé será renovada.
Os discípulos contam a ele sobre suas expectativas e decepções; Jesus os ajuda a compreender a identidade do Messias crucificado. Os corações dos discípulos começam a arder; eles sentem necessidade de que esse "estranho" permaneça com eles. Na Ceia Eucarística, seus olhos se abrem e eles o reconhecem: Jesus está com eles, alimentando sua fé!
Nós, cristãos, precisamos nos lembrar mais de Jesus: citar suas palavras, refletir sobre seu modo de vida e aprofundar-nos em sua missão. Precisamos abrir ainda mais os olhos da nossa fé e descobri-lo vivo em nossas celebrações eucarísticas. Jesus não está ausente. Ele caminha ao nosso lado.