Ministro israelense contesta acordo para interromper ataques em Gaza e insiste no controle total do território

Foto: Anadolu Ajansi

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03 Agosto 2026

O ministro da Energia de Israel, Eli Cohen, declarou neste domingo (2) que não existe nenhum acordo para pôr fim aos ataques aéreos em Gaza. A declaração foi feita após um fim de semana de bombardeios das forças israelenses no território palestino, apenas alguns dias depois do anúncio de um acordo.

A reportagem é publicada por Rfi, 02-08-2026.

"No acordo que assinamos com os Estados Unidos, nossa posição é que o Hamas deve ser desmantelado. Essa é a primeira coisa que deve acontecer", declarou Eli Cohen à rádio do Exército israelense. O ministro acrescentou que Israel daria ao Hamas a possibilidade de depor as armas, antes de afirmar: "Sou muito cético quanto à possibilidade de que isso aconteça."

Cohen disse ainda considerar necessário que Israel, que controla cerca de 70% do enclave palestino, assuma o controle total do território. O ministro integra o gabinete de segurança do premiê Benjamin Netanyahu, um círculo restrito encarregado de supervisionar a política de segurança e diplomática de Israel.

Suas declarações ocorrem poucos dias após o anúncio de um acordo sobre o desarmamento do movimento islamista Hamas e a retirada israelense do território palestino. Segundo o texto do acordo firmado pelo "Conselho de Paz" do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que foi o primeiro a anunciá-lo na noite de quinta-feira (30), tanto Israel quanto o Hamas deverão interromper suas operações militares.

O acordo também prevê "uma retirada progressiva das forças israelenses das áreas que ainda controlam em Gaza", assim como o "desmantelamento dos grupos armados, incluindo o Hamas". No entanto, embora o movimento tenha confirmado o compromisso, Israel ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o texto.

Pelo menos 13 mortos em 24 horas

Segundo os serviços de saúde da Faixa de Gaza, Israel realizou vários bombardeios neste fim de semana. Os ataques e disparos que continuaram entre a noite de sábado e a madrugada de domingo atingiram diversos edifícios residenciais e deixaram oito mortos, de acordo com a Defesa Civil.

Esses novos bombardeios israelenses no enclave deixaram pelo menos 13 mortos em 24 horas, informou a Defesa Civil neste domingo.

O Exército israelense não comentou imediatamente essas informações. No sábado (1°), limitou-se a afirmar que havia matado três "terroristas", depois de as autoridades de Gaza relatarem oito mortes.

Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro passado, e os ataques israelenses ao território permaneceram frequentes.

O Ministério da Saúde de Gaza informou que 152 pessoas foram mortas no território em julho, o maior número mensal de vítimas desde o início do ano, segundo o órgão. Desde outubro, ao menos 1.222 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde, cujos números são considerados confiáveis pela ONU. O Exército israelense afirma ter perdido cinco soldados no mesmo período, além de um funcionário civil contratado.

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