Agricultura familiar. População jovem caiu pela metade na maioria das regiões rurais do RS em 20 anos

Foto: meriç tuna/Unsplash

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23 Julho 2026

Para 60% dos agricultores familiares gaúchos, as aposentadorias representam uma das principais fontes de renda – ficando atrás apenas da venda de produtos in natura. Em metade das famílias, a previdência social responde por mais da metade do total de entradas anuais. O dado é um dos resultados do levantamento realizado pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do RS (Fetraf-RS) em 34 municípios do estado. A pesquisa começou em 2021 e resultou no livro "Agricultura Familiar em Transformação", que será lançado hoje durante o Congresso Mundial de Sociologia Rural na UFRGS.

A informação é publicada por Matinal, 22-07-2026.

A dependência da aposentadoria combinada com um esvaziamento geracional acelerado gera um cenário de vazio rural: 67% dos entrevistados encara a próxima década com incerteza. “Precisamos construir um novo modelo produtivo mais justo e adequado para a agricultura familiar, que consiga entregar mais qualidade de vida e de trabalho, permitindo que os jovens possam permanecer no campo e quem sabe atrair de volta muitos que já saíram”, comenta Douglas Cenci, coordenador da Fetraf-RS e um dos organizadores do livro.

O êxodo jovem é expressivo: entre os Censos de 1991 e 2010, a população com idades entre 15 e 29 anos diminuiu pela metade na maioria das microrregiões da Fetraf-RS. Para 71,2%, as mudanças mais marcantes nas comunidades são o êxodo rural, o envelhecimento e a falta de sucessão. A falta de mão de obra é também o principal empecilho para adotar tecnologias mais ecológicas, como apontaram metade dos entrevistados.

A pesquisa revela que, além de esvaziado, o campo gaúcho está dominado pelo avanço da soja: 77,2% já produzem grãos e, entre 1986 e 2023, a área destinada à cultura de soja cresceu vertiginosamente – 1.744% na Serra e 663,9% no Vale do Rio Pardo, por exemplo.

Diante desse quadro, mais da metade dos agricultores planejam apenas manter as propriedades como estão. Há 5,2% que querem vender as terras ou sair da atividade e 16,6% pretendem arrendar.

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