‘O antifeminismo está muito presente em Santa Catarina’, aponta Carolline Sardá

Foto: Redes Socias/ Carolina Sárda

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13 Agosto 2026

A deputada estadual fala dos desafios de propor pautas feministas em uma Casa dominada pela extrema direita.

A reportagem é de Maria Teresa Cruz e Raquel Setz, publicada por Brasil de Fato, 17-07-2026.

A feminista Carolline Sardá (Psol) acaba de assumir uma cadeira como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) por um período de 120 dias, substituindo o deputado Marquito (Psol), que se licenciou para disputar a reeleição. Sardá, que obteve mais de 8 mil votos em 2022, chega com a missão de tensionar o debate sobre a segurança pública e os direitos das mulheres em um dos estados mais conservadores do país.

Ao BdF Entrevista, a agora deputada relata as impressões no dia de sua posse, quarta-feira (15), em que foi submetida ao impacto da pouca representatividade feminina na Alesc. “Somos apenas quatro mulheres. Apenas uma mulher, a Luciane Carminatti, do PT, estava presente [na posse]. Então, é uma disputa muito interessante que eu estou chegando para favorecer o Estado nessa luta feminina e feminista.”, destaca.

Em seu discurso de posse, Sardá contou sobre como aconteceu sua entrada na militância, motivada por ter sido vítima de violência e ter sofrido revitimização dentro de uma delegacia em Balneário Camboriú. “Sempre que as pessoas me perguntam como eu cheguei à luta feminista, eu falo que foi a vivência como mulher mesmo. Foi a revitimização de uma delegacia, foi encontrar uma porta de delegacia fechada. Foi o motivo que me levou para a política, porque eu sempre me questionei se outras mulheres tinham passado pelo mesmo que eu”, disse.

Apesar do pouco tempo em que ficará na legislatura, Carolline Sardá afirma que um dos eixos do mandato será o enfrentamento à narrativa de que Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil. O tema da segurança pública é comumente vinculado à pauta da extrema direita.

Por essa razão, segundo a deputada, ela considera importante entrar nesse tema e mostrar que a esquerda, e especialmente sob a perspectiva das mulheres, está atenta para isso. Sardá considera a segurança seletiva no estado, que exclui as mulheres, as populações negras, indígenas e rurais. Ela denuncia que, enquanto o governo investe em “clubes de tiro” e armas, a rede de proteção às mulheres está sucateada. “Seguro para quem? Porque, se for para uma mulher, não é seguro. Se for para uma mulher que mora numa zona rural, se for para uma mulher indígena, não é seguro. A segurança pública aqui é para quem tem dinheiro para pagar por ela”, destaca.

Carolline Sardá também comenta sobre a relação de discordância antiga com a colega de Alesc, a deputada bolsonarista Ana Campagnolo, que chegou à Casa após o discurso de posse de Sardá. “Meu discurso foi bastante propositivo. Ainda não tivemos esse embate. Acredito que pode ser que ela passe esses 120 dias fugindo desse embate, assim como fez nos últimos seis anos, em que ela proibiu meu nome em debates em que ela estaria, inclusive entrando em contato com diretores de podcast para proibir minha participação. Só que agora ela vai ter que aceitar que o meu microfone está dentro da Assembleia Legislativa, no mesmo plenário em que ela pode falar suas desinformações, suas mentiras e suas falácias sobre o feminismo, eu posso falar a verdade, eu posso falar a prática e a coerência da luta feminista no dia a dia”, defende.

Ainda sobre isso, a parlamentar lembra que Campagnolo não é exceção, pelo contrário, é regra, e que aposta que o combate ao antifeminismo se dá pela luta e pela prática no dia a dia. “O antifeminismo está muito presente no Estado. Os que são antifeministas podem aproveitar o momento do avanço da luta das mulheres para tentar reagir e retroceder. E nós não vamos retroceder jamais, obviamente”, promete.

A deputada também manifestou a intenção de usar a tribuna para pressionar pelo caso de Sônia Maria, mulher negra com deficiência resgatada de trabalho análogo à escravidão na casa de um desembargador em Santa Catarina. “Não estamos livres enquanto outras mulheres estiverem prisioneiras”, ressaltou. “Quero deixar um legado para as mulheres.”

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