Empresas e religiões: compromissos sem estratégias. Artigo de Lorenzo Prezzi

Foto: B. Sacha/GI

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15 Julho 2026

"Atualmente, o 'fato religioso' é um elemento da gestão ordinária da empresa, mas ainda não é abordado de forma suficiente como tal", escreve Lorenzo Prezzi, teólogo italiano e padre dehoniano, em artigo publicado por Settimana News, 14-07-2026.

Eis o artigo.

Como podemos lidar com diferentes afiliações religiosas e suas necessidades no ambiente de trabalho? Que percepções e práticas emergem das práticas de gestão atuais? Devemos levá-las em consideração ou ignorá-las?

Essas são questões, atualmente marginais, que permeiam o ambiente de trabalho e são destacadas em um relatório anual promovido pelo Institut Montaigne (Paris). Religião no Trabalho. Barômetro de Fatos Religiosos na Empresa 2026: este é o título do estudo publicado em julho, coordenado por Lionel Honoré (Universidade de Tours), que dirige a pesquisa desde 2012.

As mais de cem páginas estão distribuídas em quatro títulos:

  • O “fato religioso” está cada vez mais presente e visível no ambiente de trabalho.
  • Tipologia das religiões na origem dos “fatos religiosos” na empresa.
  • Desde práticas religiosas até os efeitos conflitantes no trabalho e nas relações profissionais.
  • Um quadro jurídico e de gestão que ainda não está suficientemente adaptado às empresas.

Observa-se uma progressão clara e constante no impacto do conceito de "religião" no contexto corporativo. Atualmente, 79% dos 2.000 questionários coletados indicam isso. Há dois anos, esse número era de 71% e, em 2022, de 66%.

Imagens e símbolos (de lenços na cabeça a cruzes, de turbantes a tatuagens), pedidos de ausência, orações em horários predefinidos ou durante intervalos: estes são os mais comuns e não têm um impacto negativo significativo. As mulheres, em particular, exibem sinais religiosos (31% contra 26% dos homens), a maioria das quais com menos de quarenta anos.

Comportamentos mais problemáticos também estão em ascensão, como a recusa em trabalhar com uma mulher, a negação de certas funções no trabalho, o proselitismo e a oração durante o expediente. Este último afeta predominantemente os homens. Esses comportamentos produzem efeitos negativos no ambiente de trabalho e exigem intervenções específicas por parte dos gestores, sendo que questões relacionadas a conflitos afetam 25% dos casos (um aumento em relação aos 6% registrados em 2013).

Problemas crescentes e respostas ocasionais

O aumento de conflitos e a "questão religiosa" são percebidos negativamente por 37% dos entrevistados. Em 2022, esse número era de 22%. O comportamento religioso é considerado irritante por 49% e vingativo por 46% dos entrevistados. Isso contribui para a criação de um crescente sentimento de estigma e discriminação, relatado por 37% dos respondentes, em comparação com 19% em 2019.

A estigmatização é particularmente sentida por funcionários judeus e muçulmanos. Estes últimos enfatizam que a discriminação começa no momento da contratação (30% em comparação com 8% dos demais trabalhadores). Essa percepção mina o senso de pertencimento à empresa, especialmente entre os trabalhadores mais jovens, que são os mais expostos a comportamentos inadequados. Esses fatores são mais visíveis em grandes empresas de manufatura, grandes redes varejistas e empresas de logística.

O barômetro destaca uma crescente tensão entre a necessidade de liberdade religiosa e a exigência de "neutralidade secular" no ambiente de trabalho.

81% das respostas expressaram a possibilidade de a dimensão do laicismo, tal como proposta e defendida nos serviços públicos e administrativos, ser aplicável ao contexto "privado" das empresas.

A liberdade de afirmar crenças religiosas pode ser limitada por necessidades específicas, como higiene, segurança, funcionamento adequado da organização do trabalho ou proteção dos direitos de terceiros.

"O desafio não é excluir o “fato religiosoda empresa, mas distinguir claramente o que diz respeito à prática admissível, objeto de uma adaptação razoável, e o que, ao contrário, deve ser rejeitado como um comportamento que prejudica o trabalho e as regras geralmente aceitas" (p. 15).

A maioria das empresas não está preparada para lidar com essas questões e carece de uma estrutura de gestão abrangente. Apenas 25% implementaram treinamentos específicos, enquanto 49% desconhecem a necessidade de uma política abrangente para abordar o problema.

São, em particular, os funcionários "religiosos" que se queixam de discriminação e estigmatização (80%), apesar de estarem convencidos da compatibilidade da fé com o trabalho.

Atualmente, o "fato religioso" é um elemento da gestão ordinária da empresa, mas ainda não é abordado de forma suficiente como tal.

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