13 Julho 2026
O analista israelense: "Não é uma crise acidental, mas uma estratégia para chegar a um acordo sobre o tráfego naval e não falar mais sobre energia nuclear."
Antes mesmo de perguntarmos o que está acontecendo no Estreito, devemos nos perguntar quais são os verdadeiros interesses do Irã. E devo dizer, os iranianos são gênios: estão criando um problema estratégico em Ormuz para desviar a atenção internacional de seu programa nuclear." É assim que Michael Milshtein, analista israelense do Centro Moshe Dayan, interpreta a complexidade do momento.
A entrevista é de Fabio Tonacci, publicada por La Repubblica, 13-07-2026.
Eis a entrevista.
Eles criam isso bombardeando navios comerciais.
Os ataques são episódicos; servem principalmente para moldar toda a negociação. Agora Trump está preocupado apenas com Ormuz, petróleo e o preço do petróleo bruto. Portanto, o objetivo de Teerã é chegar a um acordo sobre o Estreito, deixando Trump com a impressão de ter alcançado o sucesso, enquanto nos bastidores eles garantirão que não haja negociações sérias sobre a questão nuclear.
Será possível que os Estados Unidos não percebam isso?
Infelizmente, parece que o Ocidente, especialmente os Estados Unidos, não entende realmente os iranianos.
Então, hoje, o controle da navegação no Estreito de Ormuz se tornou mais importante do que a questão nuclear?
Do ponto de vista de Trump, sim. Prevejo mais alguns dias de escalada militar, e então o Catar, o Paquistão e talvez a Turquia tentarão reabrir as negociações. Mas o foco das negociações não será mais a questão nuclear, e sim Ormuz.
Qual o papel de Omã? Parece apoiar a liberdade de navegação, mas, ao mesmo tempo, está trabalhando com o Irã para impor sua vontade.
Omã está adotando uma postura muito cautelosa. Lembre-se de que, há apenas um mês, Trump o acusou publicamente de ajudar a República Islâmica a exportar petróleo. Hoje, Mascate busca, acima de tudo, evitar qualquer confronto direto com Teerã e proteger sua infraestrutura energética. Ao contrário dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, Omã não define o Irã como inimigo e mantém uma posição de neutralidade. Não é coincidência que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Araghchi, tenha estado recentemente em Omã e que autoridades do Catar também tenham intensificado os contatos com Mascate. O objetivo é consolidar um papel como principal mediador regional.
Então, toda a crise foi arquitetada para obscurecer a questão nuclear?
Exatamente. Para o Irã, o programa nuclear continua sendo infinitamente mais importante do que o Ormuz. Hoje, quase não falamos sobre mísseis balísticos, mísseis de longo alcance ou a rede regional de aliados. Os iranianos são extraordinariamente habilidosos em negociações. Na minha opinião, esta não é uma crise que saiu do controle: é uma crise planejada e controlada.
Ao final das negociações, Teerã conseguirá manter algum tipo de pedágio ou tarifa sobre o tráfego no Estreito?
É possível. Antes da guerra, esse problema não existia; agora, um acordo poderia surgir no qual o Irã renunciasse apenas parcialmente às suas exigências econômicas. Vamos imaginar que inicialmente peça dez mil dólares por navio e depois concorde em reduzir para três mil. Trump poderia apresentar isso aos americanos como um sucesso, quando, na realidade, Teerã introduziu um princípio que não existia antes.
Qual é a estratégia de Israel e Netanyahu?
Não é coincidência que o Irã esteja evitando cuidadosamente atacar Israel, pois sabe que Netanyahu está ansioso por uma nova escalada. O primeiro-ministro israelense gostaria de arrastar todos os atores regionais, e especialmente Trump, para uma guerra mais ampla. No entanto, ele tem pouca margem de manobra. Trump deixou claro que está gerenciando essa crise e que Israel não deve interferir. Nos últimos dias, os israelenses tentaram influenciar Washington com relatórios de inteligência sobre as intenções de Teerã, mas acredito que, por enquanto, Netanyahu deve simplesmente esperar.
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