Católicos politicamente militantes nutrem um sentimento de superioridade, sugere Massimo Faggioli

Foto: Vatican News

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09 Julho 2026

De acordo com Massimo Faggioli, o catolicismo transatlântico está sofrendo cada vez mais pressão política e cultural. Ele discute o papel de Leão XIV nesse contexto e a mensagem que ele transmite aos Estados Unidos e à Europa.

A informação é publicada por katolisch.de, 08-07-2026. 

Segundo o teólogo italiano Massimo Faggioli, católicos politicamente militantes de ambos os lados do Atlântico frequentemente nutrem um sentimento de superioridade moral sobre seus irmãos na fé "do outro lado do oceano". Essa crescente divisão no catolicismo transatlântico é "uma das situações paracismáticas mais sutis e insidiosas do que a cisão formal da Fraternidade Sacerdotal São Pio X", escreve Faggioli em um artigo para o portal "Global Catholic" na terça-feira.

Ao mesmo tempo, o catolicismo em ambos os continentes está hoje sujeito a processos de "culturalização" – por exemplo, por "autoproclamados cristãos culturais" como Elon Musk – e instrumentalização que contradizem a catolicidade da mensagem e do testemunho da Igreja.

Mensagem para a América de Trump

Nesse contexto, Leão XIV, por meio de sua própria "americanidade", resgatou uma compreensão católica da América. "É uma lembrança do que a América prometeu — aos americanos e a todos", escreve Faggioli. Isso fica particularmente claro quando consideramos os eventos das últimas semanas em contexto — a visita de Leão à ilha mediterrânea de Lampedusa no Dia da Independência dos Estados Unidos, ou seu discurso na cerimônia da Medalha da Liberdade na Filadélfia. Nele, Leão evita conscientemente qualquer retórica de excepcionalismo e honra a América "não porque seja mais rica, mais forte ou mais poderosa do que qualquer outra, mas por causa dos ideais políticos sobre os quais foi fundada".

Nesse contexto, sua visita a Lampedusa no Dia da Independência é entendida como um sinal para os Estados Unidos. "A eleição de Leão foi interpretada como uma mensagem para a América de Trump, e esse elemento é inegável", disse Faggioli. Ao mesmo tempo, o Papa lembrou a Europa de sua responsabilidade para com os refugiados e migrantes. O discurso de Leão na cerimônia de entrega da Medalha da Liberdade também deve ser compreendido nesse contexto. Nele, o Papa elogiou a liberdade religiosa como fundamento da sociedade americana e expressou esperança em um discurso público caracterizado por "moderação, respeito pelas opiniões alheias" e pela busca de um terreno comum para a paz e a reconciliação.

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