09 Julho 2026
"A igreja se beneficiaria da clareza baseada no Evangelho, tanto em sua doutrina quanto, ainda mais, em suas interações internas. Onde essa postura está ausente, a denúncia se torna a guardiã da fé. Os ensinamentos de Jesus não poderiam ser mais claramente deturpados", escreve o padre Max Cappabianca, em artigo publicado por Katholisch, 08-07-2026.
Max Cappabianca é membro da Ordem Dominicana e trabalha como apresentador de programas religiosos no canal Sat.1.
Eis o artigo.
Dois homens celebraram uma Missa de Ação de Graças em Londres: 50 anos de vida juntos e compromisso com a justiça – a quarta celebração desse tipo pelo casal desde 1976. O cardeal dominicano Timothy Radcliffe pregou sobre a amizade como participação na vida de Deus. Ao final, foi recitada uma oração: provavelmente uma adaptação de uma oração dos bispos flamengos, extraída de um documento de 2022 sobre o cuidado pastoral com os homossexuais. Após a celebração se tornar pública, Radcliffe sentiu-se compelido a emitir um esclarecimento: em entrevista ao site "AdVaticanum", explicou que não havia abençoado ninguém e que desconhecia qualquer bênção – um distanciamento que alguns poderiam interpretar como covardia.
Um escândalo está se formando. A Fiducia supplicans está contribuindo para isso. O compromisso permite bênçãos, mas proíbe qualquer ritualização – deixando em aberto a questão de onde uma termina e a outra começa. Isso provocou recentemente uma intervenção do Papa Leão XIV em relação às dioceses alemãs. Isso cria precisamente a zona cinzenta em que a disputa está ocorrendo agora.
Mais grave é o que prospera nessa zona cinzenta: uma cultura de denúncia. Aqueles que dissecam e denunciam publicamente gestos pastorais não agem de acordo com a autoridade doutrinária, mas sim como acusadores à espreita. O Evangelho descreve essa atitude com precisão: "Esperavam Jesus para ver se ele curaria no sábado, a fim de encontrar motivos para acusá-lo" (Lucas 6,7). Jesus curou — e eles discutiram furiosamente o que poderiam fazer contra ele (Lucas 6,11). Aqueles que espreitam não buscam a verdade, mas munição; até mesmo uma boa ação se torna prova. A Bíblia atribui a atitude do acusador a apenas uma pessoa: Satanás (Apocalipse 12,10).
Radcliffe acredita que é moralmente errado transformar a celebração em escândalo. Ele está certo. A igreja se beneficiaria da clareza baseada no Evangelho, tanto em sua doutrina quanto, ainda mais, em suas interações internas. Onde essa postura está ausente, a denúncia se torna a guardiã da fé. Os ensinamentos de Jesus não poderiam ser mais claramente deturpados.
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