27 Junho 2026
"Nos jogos envolvendo seleções de países asiáticos, africanos e sul-americanos o painel da FIFA poderia trazer dados gerais sobre esses continentes, a pressão que sofrem por políticas de preços de seus produtos, por ações neocolonialistas e dinâmicas políticas. Seria uma informação que chegaria a bilhões de habitantes do planeta!", escreve Edelberto Behs, jornalista.
Eis o artigo.
ONU e FIFA poderiam se unir e colocar um time em campo, num jogo pela dignidade humanitária do planeta. Nesse jogo, os telões da FIFA nos estádios de futebol não seriam destinados apenas a indicar os números da partida, ou de anúncios publicitários. Ele traria informações, dados da fome, da sede, de guerras no mundo, indicando alternativas de ajuda humanitária.
Nessa Copa do Mundo de 2026, dois países que estão arrolados no estudo “Pontos Críticos da Fome”, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa Mundial de Alimentos (WFP), têm seleções participando da primeira fase do campeonato. Trata-se do Haiti e da República Democrática do Congo.
O estudo prevê que entre junho e novembro os “pontos críticos da fome” sofrerão um agravamento por causa da queda de 59% no financiamento humanitário global para assistência de emergências nas áreas alimentar e agrícola. As agências alertam que esse avanço da insegurança alimentar requer uma mobilização internacional imediata.
Não seria uma oportunidade ímpar, com estádios lotados, milhões de telespectadores assistindo aos jogos, os painéis da Copa informando o que está se passando em alguns países onde a fome avança, e lançar uma campanha internacional de ajuda humanitária? Não seria um golaço da ONU/FIFA?
Nos jogos envolvendo seleções de países asiáticos, africanos e sul-americanos o painel da FIFA poderia trazer dados gerais sobre esses continentes, a pressão que sofrem por políticas de preços de seus produtos, por ações neocolonialistas e dinâmicas políticas. Seria uma informação que chegaria a bilhões de habitantes do planeta!
Também poderia ser informado que em 2025, os nove países que possuem armas nucleares – Rússia, Estados Unidos, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte – gastaram 119 bilhões de dólares para manter e modernizar seus arsenais, o equivalente a 3.768 dólares (cerca de 19 mil reais) por segundo.
Claro, seria “atrapalhar” a festa do futebol. Mas o que seria um momento de inflexão para alguém que paga 353 dólares (cerca de 1.960 reais) ou de 29 mil reais para assistir a final da Copa de 2026? E um momento de tentar suprir os recursos que faltam na cota da ONU para os países críticos da fome? Salvaria milhões de pessoas!
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