Frei Susin é o próximo conferencista do ciclo de estudos “A morte e o morrer. O direito a viver com dignidade até o fim”, promovido pelo IHU. Evento online ocorre nesta terça-feira, 23-06-2026, às 10h
“Francamente não sei como se sente aquele que não crê diante desse momento que pode parecer banal, mas é o momento supremo. (…) Eu vi crentes morrendo com medo da morte e de Deus, e vi agnóstico morrendo sereno, com uma resignação quieta. Vi também alguém que dizia que ‘a finitude me basta’, mas na aproximação da morte não segurou o choro dizendo que ‘ainda tinha uma palavra a dizer’ e ficaria incompleto. Individualmente, todos morremos incompletos, pois só numa experiência de ser socorridos e ser salvos e integrados numa comunhão maior, a Comunhão dos Santos, é que podemos alimentar uma confiança básica a cantar ‘Não morrerei de todo’”.
O relato acima é um trecho das reflexões de Frei Luiz Carlos Susin na entrevista concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU em novembro de 2021, quando nos falou sobre o insondável mistério da morte por ocasião do Dia de Finados. Na próxima semana, o teólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) é novamente convidado a refletir sobre essa temática no ciclo de estudos “A morte e o morrer. O direito a viver com dignidade até o fim”, promovido pelo IHU neste semestre. A conferência, intitulada “Morte. Um problema ou um mistério”, será transmitida ao vivo na terça-feira, 23-06-2026, na página eletrônica do IHU, nas redes sociais e no YouTube, às 10h.
As discussões sobre a morte digna e a completa autonomia do sujeito em relação a quando, como e onde o processo de morrer vai acontecer têm ganhado destaque no século XXI. Exemplo disso são a incorporação e a atualização de protocolos de cuidados no fim da vida em hospitais e as legislações que tornaram a eutanásia e o suicídio assistido legais em uma série de países nas duas últimas décadas. Entre as nações que autorizam essas práticas destacam-se os Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Espanha, Portugal, Canadá, Colômbia, Uruguai, Nova Zelândia, Suíça, Estados Unidos e Austrália.
Independentemente do ponto de vista de cada um nessa seara, o fato é que a romantização em torno da morte e do morrer “torna essa conversa mais difícil”, alertou Luciana Dadalto, doutora em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em abril, a pesquisadora refletiu sobre o direito de determinar como enfrentar o processo de morrer à luz do testamento vital, documento escrito no qual o paciente expressa antecipadamente sua vontade diante de situações limites. Na conferência “O paciente como sujeito. O poder de fazer escolhas sobre o processo do morrer”, Luciana lembra que “a morte romantizada e sem dor acontece na minoria dos casos”.
Entre as figuras públicas que se pronunciaram sobre essa temática, destaca-se o Papa Francisco. O pontífice renunciava tanto ao que chamava de “obstinação terapêutica” quanto à eutanásia. No primeiro caso, porque envolve tratamentos sem benefício real para o paciente. No segundo, porque “se propõe a interromper a vida, provocando a morte”, argumentava. As posições do Papa foram expressas na mensagem dirigia aos participantes do Encontro Regional Europeu da World Medical Association sobre as questões do chamado “fim da vida”, organizado pelo Vaticano e a Pontifícia Academia para a Vida em 2017.
Para Francisco, o “imperativo categórico é o de nunca abandonar o doente”, mesmo diante de situações dramáticas. “A angústia da condição que nos leva ao limiar do limite humano supremo e as escolhas difíceis que é preciso tomar nos expõem à tentação de nos isentar da relação. Mas este é o lugar em que nos são pedidos amor e proximidade, mais do que qualquer outra coisa, reconhecendo o limite que a todos nos une e, justamente lá, tornando-nos solidários”.
Ciente das dificuldades que envolvem não só os doentes, mas familiares, amigos e profissionais da saúde, o Papa defendia o tratamento paliativo voltado à melhora da qualidade de vida de pacientes com doenças graves por meio do alívio do sofrimento. Exortava os familiares a viverem esta fase da vida com espírito de cuidado e doação. “Que cada um dê amor do modo que lhe é próprio: como pai ou mãe, filho ou filha, irmão ou irmã, médico ou enfermeiro. Mas que o dê! E, se sabemos que não podemos garantir sempre a cura da doença, podemos e devemos sempre cuidar da pessoa viva: sem abreviar, nós mesmos, a sua vida, mas também sem nos obstinar inutilmente contra a sua morte. Nessa linha move-se a medicina paliativa”.
O ciclo de estudos “A morte e o morrer. O direito a viver com dignidade até o fim” começou em 26 de março deste ano. A conferência de abertura foi conduzida pelo teólogo, professor emérito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e colaborador do IHU, Faustino Teixeira. O pesquisador refletiu sobre o descarte dos idosos na sociedade consumista e produtivista da nossa era. “Verifico que o avançar da idade não vem acompanhado por cuidados específicos e especializados. Vivemos numa sociedade de consumo, marcada pela ênfase na produtividade e na eficácia. (…) Os mais velhos acabam sobrando nessa lógica do mercado, sendo muitas vezes descartados por estarem fora do circuito da produção. Não é algo simples lidar com o morrer. Trata-se de uma experiência que nos coloca radicalmente diante de nossa impermanência e ‘desaparecimento’”, afirma.
A última palestra do ciclo será conduzida pelo médico Angelo Atalla e tem como tema “O direito a viver e morrer com dignidade”. O evento será transmitido ao vivo no dia 30-06-2026, às 10h.
A playlist completa das conferências pode ser acessada aqui. Mais informações estão disponíveis aqui.
Onde assistir: Página inicial IHU, YouTube, Facebook e Twitter.
Data: 23-06-2026, terça-feira.
Horário: 10h.
Certificação: Será fornecido certificado a quem matricular-se em cada conferência e, no dia do evento, preencher o formulário de presença disponibilizado somente durante a transmissão. O aluno poderá matricular-se apenas nas conferências que desejar assistir. O certificado informará a carga horária total cursada e estará disponível no Portal Minha Unisinos 20 dias após o término de todas as conferências do ciclo de estudos. As inscrições podem ser feitas aqui.

