Em 2025, foram registrados 40 conflitos armados, o número mais alto em uma década

Fonte: Unsplash

Mais Lidos

  • Começa a Copa do Mundo mais quente de todos os tempos, encobrindo os petrodólares por trás das mudanças climáticas

    LER MAIS
  • A Anthropic revela ao público sua arma mais poderosa: Claude Fable 5, a IA dos Mythos, chega ao mercado

    LER MAIS
  • “O governo ficou seduzido pelas possibilidades arrecadatórias das bets e se juntou ao lobby das empresas de apostas”, alerta o pesquisador

    Copa do Mundo e a influência das bets no mercado nacional. Entrevista especial com Marcelo Pereira de Mello

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

11 Junho 2026

O mundo vive um novo aumento da violência armada global. Em 2025, foram registrados 40 conflitos armados ativos, o número mais elevado desde 2011 e um dos mais altos desde que a Escola de Cultura de Paz (ECP), da Universidade Autônoma de Barcelona, elabora seus estudos anuais sobre os conflitos internacionais.

A reportagem é publicada por Ethic, 09-06-2026.

O relatório, publicado esta semana, analisa a evolução dos conflitos armados, as tensões sociopolíticas e o impacto das guerras sobre a população civil e os direitos humanos. Baseia-se na análise qualitativa de pesquisas fornecidas pela Organização das Nações Unidas e outros organismos, assim como na experiência acumulada em estudos sobre o terreno.

No ano passado, houve 40 conflitos armados e 113 cenários de tensão sociopolítica em todo o mundo. A África concentra o maior número de guerras (17), seguida pela Ásia, o Pacífico (12) e o Oriente Médio (7), enquanto Europa e América registram dois conflitos armados cada uma.

Aumento das guerras

O estudo alerta especialmente para o aumento dos conflitos internacionais. Em 2025, foram registradas nove guerras entre Estados, o número mais alto desde que a ECP utiliza a atual metodologia de classificação.

Entre os novos conflitos armados identificados, estão o confronto entre Índia e Paquistão, a grave escalada entre Tailândia e Camboja e a guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã, conhecida em 2025 como “a Guerra dos 12 dias” e que foi retomada em 2026.

A equipe de pesquisa da ECP adverte que essa evolução reflete uma deterioração da segurança global e um sistema internacional no qual muitos atores de poder não priorizam a prevenção, a abordagem das causas de fundo das disputas e o apoio ao diálogo.

Além disso, o estudo destaca que quase metade dos conflitos armados do planeta piorou durante 2025. Os casos mais graves foram observados na região do Sahel Ocidental, Sudão, Haiti, Somália, Gaza, Mianmar e na guerra entre Rússia e Ucrânia. Os pesquisadores alertam para o aumento das vítimas civis, os bombardeios sobre áreas povoadas, a destruição de infraestruturas e as violações do direito internacional humanitário.

Direitos das mulheres

Entre as conclusões, o relatório alerta para um retrocesso global dos direitos das mulheres, uma vez que 70% dos conflitos armados de máxima intensidade ocorrem em países com níveis baixos ou médio-baixos de igualdade de gênero.

Cerca de 23 dos 40 conflitos armados ocorridos em 2025 aconteceram em países onde havia níveis baixos ou médio-baixos de igualdade de gênero, e 16 dos 20 conflitos armados de alta intensidade em 2025 (80%) ocorreram em países onde a Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais havia registrado legislações ou políticas de criminalização a essas minorias.

Além disso, a participação das mulheres em processos de paz impulsionados pela Organização das Nações Unidas segue diminuindo. A ONU verificou mais de 4.600 casos de violência sexual relacionados a conflitos, durante 2024, o que significa 25% a mais do que no ano anterior. Das vítimas, 93% foram mulheres e meninas.

Mais de 117 milhões de deslocados

Por fim, o relatório indica que o deslocamento forçado segue em níveis historicamente muito elevados. Em meados de 2025, havia 117,3 milhões de pessoas deslocadas à força no mundo, entre refugiadas e deslocadas internas.

Embora esse número represente uma leve redução em relação ao ano anterior, atribuída ao retorno de populações a países como Síria, Afeganistão e Sudão, a ECP conclui que o volume global permanece extraordinariamente alto e que Afeganistão, Síria, Sudão, Ucrânia e Venezuela concentram 65% da população refugiada mundial.

Leia mais