03 Junho 2026
A Organização Meteorológica Mundial anuncia "80% de probabilidade de aquecimento do Pacífico entre junho e novembro". Agricultura em risco.
A informação é de Elena Dusi, publicada por La Repubblica, 02-06-2026.
Periodicamente, por razões ainda não esclarecidas, as águas superficiais do Oceano Pacífico começam a aquecer. As temperaturas sobem um ou dois graus Celsius aproximadamente a cada cinco anos. O que parece ser um fenômeno local — observado por pescadores peruanos no final do século XIX e denominado El Niño — é, na verdade, capaz de bloquear as monções na Indonésia e na Índia e causar tufões catastróficos no Pacífico, trazendo seca a um canto da Terra e inundações a outro. Como o bater de asas de uma borboleta, o fenômeno tem consequências para quase todo o planeta.
O El Niño está de volta hoje. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que "há 80% de chance de ele se formar entre junho e agosto. As chances de o El Niño durar até novembro são de cerca de 90%. Os modelos de previsão sugerem que ele será de moderado a forte." Uma corrente classificada como "forte" corresponde a um aquecimento do mar de cerca de 2 graus Celsius no Pacífico oriental e central.
António Guterres, diretor-geral das Nações Unidas (à qual a OMM é afiliada), considera a previsão "um alerta climático urgente; o El Niño agrava o aquecimento global".
O relatório
Segundo Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, "devemos nos preparar para um evento potencialmente severo que agravará tanto as secas quanto as fortes chuvas e aumentará as ondas de calor em terra e no mar". As temperaturas das águas profundas do Pacífico equatorial subiram rapidamente desde o início da primavera, atingindo 6 graus Celsius acima do normal.
Algumas agências meteorológicas internacionais preveem que o El Niño deste ano será o mais forte já registrado. O último evento El Niño, entre 2023 e 2024, juntamente com o aquecimento global, contribuiu para que 2024 fosse o ano mais quente desde o início dos registros oficiais.
As consequências típicas do El Niño incluem o aumento da precipitação na América do Sul, no sul dos Estados Unidos, no Chifre da África e na Ásia Central. Por outro lado, ocorrem secas na África Ocidental, Setentrional e Austral, na Austrália, na América Central, na Indonésia e no Sudeste Asiático.
No Pacífico central e oriental, explica ainda a OMM, podem formar-se novos furacões. A Europa não é diretamente afetada pelo El Niño, mas o aquecimento do Pacífico continua a contribuir para o aumento das temperaturas globais.
Embora não haja comprovação de uma ligação direta entre o El Niño e o aquecimento global, ambos têm efeitos semelhantes. O calor e os eventos extremos acabam se agravando. Temperaturas escaldantes e secas podem danificar as plantações, especialmente na Ásia, neste outono. Com o aumento vertiginoso dos custos de fertilizantes e combustíveis devido à guerra contra o Irã, o impacto na agricultura promete ser significativo.
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