Líbano: "Regredimos 30 anos, o país corre o risco de implodir". Entrevista com Charif Majdalani, escritor

Foto: Jo Kassis/Pexels

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01 Junho 2026

Entrevista com o romancista: "Nosso governo é forçado a administrar a guerra, um papel para o qual não estava preparado."

“Aqui no Líbano, a situação é deprimente e exasperante, por dois motivos opostos. O Hezbollah tem a enorme responsabilidade de ter colocado o país no atual estado de guerra em que se encontra, abandonando seu próprio povo, os habitantes do Sul, à mercê de Israel. Ao mesmo tempo, a violência israelense é totalmente exagerada e injustificada: brutal. Também estamos indignados com o mundo, que assiste como se fosse normal, quando a situação é verdadeiramente terrível.” O escritor libanês Charif Majdalani é particularmente mordaz. Autor de dez romances premiados (A Casa no Jardim das Laranjeiras e A Vila das Mulheres foram traduzidos para o italiano), ele leciona literatura francesa na Universidade Saint-Joseph e é presidente da Maison Internationale des Écrivains em Beirute.

A entrevista é de Anna Lombardi, publicada por La Repubblica, 01-06-2026.

Eis a entrevista.

Os israelenses estão avançando cada vez mais na região, tendo inclusive capturado a Fortaleza de Beaufort. Como isso te afeta?

É como voltar 30 anos no tempo, a um passado terrível que pensávamos ter superado. Estamos revivendo as guerras dos anos 80 e 90. Como se tudo aqui estivesse destinado a recomeçar sempre do zero, sem solução.

Você tem medo de que este seja o começo de uma nova ocupação?

É impossível saber. Tudo o que nos dizem é o oposto do que realmente está acontecendo. E o que está acontecendo é o oposto do que nos dizem. Os israelenses estão avançando em meio a um cessar-fogo e negociações em andamento com alguém que não está atirando neles. Não é o Estado libanês que está em guerra contra eles, mas o Hezbollah, que, no entanto, não está incluído nas negociações. Mas como isso é possível? Enquanto isso, Israel diz: "Não vamos ocupar" e, imediatamente depois, "Vamos expandir". Eles avançam em silêncio e destroem o Líbano enquanto o mundo assiste.

Todo mundo repete que o governo libanês é fraco.

Este governo é excelente, mas foi eleito para gerir o fim da crise financeira e o restabelecimento do Estado. Chegou ao poder porque o Hezbollah estava em ruínas e perdendo apoio. Agora, é forçado a gerir a guerra, um papel para o qual não estava preparado. Está fazendo o seu melhor, mas faltam-lhe as ferramentas. Enquanto isso, as razões pelas quais foi eleito — a crise financeira, a justiça — permanecem sem solução.

O ministro das Relações Exteriores francês, Barrot, solicitará ao Conselho de Segurança da ONU uma resolução de emergência.

As Nações Unidas são agora uma farsa. Só são úteis quando um Estado quer demonstrar boa vontade, mas não tem intenção de agir. Não confio no atual governo francês. Não é sério. E, em todo o caso, os Estados Unidos e Israel não se importam com a ONU.

Então, quem pode te ajudar?

Apenas aqueles que fazem guerra: os Estados Unidos, o Irã e Israel. E eles não parecem dispostos a fazê-lo. Enquanto isso, o caos reina aqui. As pessoas estão perdidas. O Hezbollah está se fortalecendo novamente, encontrando novo apoio porque é confundido com o defensor do país. Basta pensar, neste exato momento em Beirute há uma manifestação de seus apoiadores contra as negociações. Em resumo, quanto mais Israel avança, mais se fortalece. E a sociedade está dividida: muitos acreditam que o Hezbollah é a causa do desastre. Portanto, há fortes tensões internas, antigas divisões estão ressurgindo. Por enquanto, nos mantivemos firmes, mas se Israel começar a bombardear Beirute novamente, explodiremos. O risco de guerra civil é alto.

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