Israel. Vinte Anos. Os jovens e a guinada à direita

Foto: Thang-Nhat Tran/Pexels

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29 Mai 2026

"Se antes de 7 de outubro de 2023, o certo a fazer era ir às ruas e protestar, depois de 7 de outubro, o certo a fazer passou a ser ir lutar." Paz Zemach é uma israelense de vinte anos que recentemente deixou o serviço militar e está envolvida nos movimentos contra Benjamin Netanyahu desde o ensino médio. O Haaretz a entrevistou em um artigo intitulado "Por que não é mais moda para os jovens israelenses lutar para derrubar Netanyahu". Dada a situação atual no país, escreve o jornal israelense, esse fato é surpreendente: "Em teoria, na verdade, são os jovens que têm mais a perder com a continuação de um governo belicista determinado a desmantelar o sistema democrático."

A informação é de Giovanni De Mauro, publicada por Internazionale, 29-05-2026.

Uma explicação é que, ao contrário de seus pares em outros países, os jovens em Israel são muito mais conservadores do que seus pais e avós, e nos últimos anos essa guinada à direita se acelerou. De acordo com uma pesquisa publicada em outro jornal israelense, Maariv, 56% dos eleitores entre 18 e 22 anos se identificam como de direita, e outros 22% como de centro-direita. Em comparação, apenas 3% se identificam como de esquerda e 5% como de centro-esquerda. Uma grande maioria desses jovens prefere Netanyahu a qualquer candidato de esquerda.

Essa tendência é frequentemente associada ao número desproporcionalmente alto de jovens religiosos. Normalmente, escreve o Haaretz, ser religioso "anda de mãos dadas com votar na direita", e famílias religiosas tendem a ter mais filhos do que as seculares: isso explicaria por que há tantos jovens israelenses de direita.

Noa Lavie, reitora da Escola de Governo e Sociedade da Faculdade Acadêmica de Tel Aviv-Jaffa, confirma que os jovens israelenses são mais conservadores do que os de outros países, explicando da seguinte forma: "Desde cedo, eles aprendem a glorificar o Estado e o exército. Em Israel, não há cultura de protesto entre os jovens. A experiência militar consagra a obediência, e eles não estão acostumados a ir às ruas, como acontece com os jovens em outros países."

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