28 Mai 2026
Por que o Papa Leão XIV cita J.R.R. Tolkien e seu personagem literário Gandalf, de "O Senhor dos Anéis", em sua encíclica Magnifica humanitas? Para o teólogo e filósofo da mídia de Innsbruck, Johannes Hoff, a resposta é óbvia: em seu documento doutrinário, o Papa está buscando uma "ética hobbit", uma ética de pequenos passos que todos deveriam seguir na luta para civilizar a IA.
A reportagem é publicada por Katholisch.de, 27-05-2026.
O Papa leva muito a sério o fato de que "a humanidade está numa encruzilhada na história da civilização", afirma Hoff, citado pela agência de notícias Kathpress no podcast de teologia This Side of Eden; "e não há soluções fáceis para os problemas, nem uma única pessoa ou instituição que possa ser responsabilizada: todos estamos envolvidos e devemos nos envolver", disse o acadêmico.
Paisagens da transformação digital
De fato, a encíclica publicada na segunda-feira de Pentecostes não deixa dúvidas sobre a natureza dramática da situação: "Ela nomeia, sem falsa moderação, os cenários de devastação que já deixamos para trás no curso da transformação digital – da vida social à cultura e à esfera militar", afirma Hoff. É sensato não defender soluções simplistas, mas sim uma "vigilância apocalíptica" e uma sensibilidade aos sinais dos tempos.
Hoff enfatiza que a estrutura teológica da encíclica, que recebeu pouca atenção em interpretações anteriores, também é importante. Somente essa estrutura torna clara a disparidade dramática entre a "gloriosa humanidade", como Hoff argumenta que Magnifica humanitas seria uma tradução mais precisa, e um mundo moldado digitalmente com novas estruturas de poder e relações de escravidão.
"Erradicar o mal da melhor maneira possível"
Em sua encíclica sobre "a preservação da humanidade na era da inteligência artificial", Leão XIV cita diretamente a obra épica de fantasia do "escritor católico" J.R.R. Tolkien (1892-1973). No parágrafo 213 da encíclica, o Papa adota textualmente as palavras do mago Gandalf de "O Senhor dos Anéis": "Mas não nos cabe conduzir o mundo através das eras, mas fazer o que pudermos nos anos a que estamos limitados para erradicar o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que vierem depois de nós encontrem solo fértil."
Leão XIV considera esta citação uma boa descrição da responsabilidade da Igreja em relação à IA. "A civilização do amor não surge de um único gesto espetacular, mas da soma de pequenos e persistentes atos de fidelidade, que servem de baluarte contra a desumanização", afirma a encíclica. "Portanto, vale a pena parar e considerar alguns aspectos de como nós, cada um em nossa própria esfera, podemos contribuir para a sua construção."
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