Quando Israel exibe com orgulho a crueldade, o mundo deve responder com firmeza

Foto: UNRWA

Mais Lidos

  • "A adesão ao conservadorismo político é coerente com uma cosmologia inteira que o projeto progressista rechaça". Entrevista especial com Helena Vieira

    LER MAIS
  • Quando uma estudante de teologia desafiou o cardeal

    LER MAIS
  • Neste ano, o El Niño deve ser terrível. Artigo de Vivaldo José Breternitz

    LER MAIS

Revista ihu on-line

Aceleracionismo Amazônico

Edição: 559

Leia mais

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

21 Mai 2026

"Bem-vindos a Israel, nós somos os donos daqui." (Quem impede isso?).

O artigo é de Jesús Lozano Pino, missionário e filósofo em formação, publicado por Religión Digital, 21-05-2026.

Eis o artigo.

Não é segurança, é crueldade: a humilhação intolerável de trabalhadores humanitários pelo Ministro da Segurança Nacional de Israel.

Um alto funcionário da segurança israelense provocou indignação mundial ao divulgar um vídeo zombando de ativistas europeus — incluindo vários espanhóis — que estavam amarrados e ajoelhados. Este ataque direto à dignidade humana foi condenado como "monstruoso" pelo governo espanhol.

A política da crueldade ultrapassou um novo limite. A divulgação de um vídeo gravado e compartilhado nas redes sociais pelo Ministro da Segurança Nacional de Israel chocou a comunidade internacional. Nas imagens, o chefe da polícia do país zomba e humilha publicamente dezenas de trabalhadores humanitários e ativistas da Flotilha Global Sumud (incluindo cidadãos espanhóis) após serem interceptados em águas internacionais enquanto tentavam entregar ajuda humanitária a Gaza.

As imagens são devastadoras para qualquer pessoa que defenda os valores do Evangelho e os direitos humanos: homens e mulheres desarmados forçados a ajoelhar-se ao sol, com as mãos amarradas nas costas e a testa pressionada contra o asfalto. Enquanto isso, o Ministro da Segurança Nacional passeia entre eles, agitando uma bandeira e zombando: "Bem-vindos a Israel, aqui quem manda somos nós".

Uma afronta à dignidade humana

A reação da diplomacia europeia foi unânime e contundente, especialmente a da Espanha. Nosso Ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, não poupou palavras diante do que considera uma absoluta falta de humanidade, classificando as imagens como "monstruosas, indignas e desumanas" e exigindo a libertação imediata de nossos compatriotas e um pedido público de desculpas.

Até mesmo dentro do próprio governo israelense, o Ministro das Relações Exteriores teve que intervir para repreender seu colega de gabinete: "Você causou um dano tremendo com esse espetáculo vergonhoso... Você não representa Israel."

O vídeo do Ministro da Segurança Nacional ofende a sensibilidade de qualquer pessoa de fé ou com um mínimo de senso de justiça. Reduzir trabalhadores humanitários pacíficos a uma posição de submissão indigna não é defender um Estado; é desumanizar o próximo.

Este episódio deplorável nos lembra que, no tabuleiro geopolítico, a propaganda de ódio é altamente valorizada. Quando trabalhadores humanitários — muitos deles movidos por profundas convicções éticas e cristãs de justiça e paz — são tratados como troféus de guerra diante das câmeras de um ministro, a comunidade internacional não pode simplesmente ignorar a situação. A solidariedade não pode ser subjugada.

O silêncio que nos torna cúmplices da falta de escrúpulos

Este lamentável episódio não é meramente um conflito geopolítico ou mais um incidente diplomático; é um reflexo cru da alma humana quando se deixa corromper pelo poder e pelo desprezo pelo próximo. Ver trabalhadores humanitários pacíficos — motivados pela compaixão e pelo senso de justiça — desumanizados e tratados como troféus de guerra é uma flagrante contradição aos valores do Evangelho que nos chamam a reconhecer a face de Deus em nossos irmãos e irmãs, especialmente naqueles que sofrem.

A propaganda do ódio e a arrogância daqueles que se consideram "donos" da terra e da vida alheia jamais conseguirão extinguir a luz da solidariedade. Quando a crueldade se exibe com orgulho, a fé não pode ser um refúgio de neutralidade, nem a Igreja pode fechar os olhos.

Seguir Jesus de Nazaré exige uma voz profética e corajosa. Não podemos permanecer em silêncio diante da violação dos direitos mais sagrados. Hoje, mais do que nunca, confrontados pelos muros do desprezo e pelas correntes da opressão, somos chamados a erguer nossas vozes em defesa dos desarmados, a denunciar a monstruosidade da violência e a lembrar que o único caminho para a verdadeira paz é aquele construído sobre a justiça, a misericórdia e a dignidade inviolável de cada ser humano. A solidariedade, enraizada no amor evangélico, caminha de cabeça erguida; esta é uma força que nenhum golpe de orgulho pode derrubar.

Leia mais