El Niño pode elevar casos de dengue no Brasil, principalmente nos Sul e Sudeste

Mosquito da dengue, Aedes aegypti. (Foto: Oregon State University/Flickr)

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20 Mai 2026

Fenômeno põe setores como saúde, seguros, agronegócio em alerta; prefeituras já têm se movimentado com pacotes de mitigação.

A reportagem é publicada por ClimaInfo, 19-05-2026.

O El Niño está colocando diversos setores sociais e econômicos em alerta no Brasil. O de saúde é um deles. Com o aumento do calor e das chuvas provocado pelo fenômeno, o Sul e o Sudeste podem ter alta nos casos de dengue, alerta, na Folha, Thiago Salomão de Azevedo, do Departamento de Biodiversidade do Instituto de Biociências da UNESP e pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Um artigo de Azevedo, publicado em 2024 na revista PLOS Neglected Tropical Diseases, investigou a relação entre o El Niño e o aumento da infestação do mosquito Aedes aegypti. A pesquisa descobriu que os índices de incidência de larvas do inseto em recipientes descartados ao ar livre aumentaram sob o efeito do fenômeno.

Na sua última ocorrência, em 2023 e 2024, o El Niño – somado ao aquecimento global – levou as temperaturas a níveis recordes em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Em 2024, a dengue matou 6.321 pessoas no país, o maior número desde 2000. Quase 80% dos casos concentraram-se no Sul e no Sudeste, regiões que também sofreram com as chuvas extremas.

Além dos temores dos setores de saúde e elétrico, o segmento de seguros e o agronegócio também estão de olho em possíveis impactos. Na 2ª feira (18/5) o Bank of America divulgou um relatório apontando que um possível “Super El Niño” pode pressionar bancos e seguradoras brasileiras expostos ao setor rural, informa a Exame.

Segundo o documento, o aumento da temperatura – que leva à quebra de safras – e das chuvas extremas podem aumentar a inadimplência, a necessidade de provisões e a sinistralidade em seguros ligados ao campo e a eventos climáticos extremos. O relatório destaca que o El Niño afeta principalmente a produção de soja e de milho – culturas que representam cerca de 85% da produção de grãos do país.

Os governos locais também começam a se preparar para o fenômeno. Também na 2ª feira, o governo de Santa Catarina decretou estado de alerta climático por pelo menos 180 dias em todos os 295 municípios do estado. A ideia é agilizar a contratação de serviços e obras emergenciais pelas prefeituras, além da compra de produtos destinados à ajuda humanitária, explica a Folha.

Já os municípios do Amazonas buscam apoio do governo federal para enfrentar a próxima estação das secas, que começa em julho e pode ser agravada pelo El Niño. É uma tentativa de não repetir o que aconteceu em 2023 e 2024, quando mais de 800 mil amazonenses foram afetados pela estiagem, o que provocou escassez de comida e deixou até a zona rural de Manaus sem acesso à água potável, lembra o AM Post.

Especialistas disseram à Daniela Chiaretti, no Valor, que, enquanto o El Niño deflagra uma situação extrema, a crise climática a amplia. “Um El Niño que seria fraquinho acaba ficando muito forte por causa do aquecimento do oceano”, explica o físico Paulo Artaxo, professor da USP e membro do IPCC.

 Adaptações climáticas não acontecem da noite para o dia, mas os governos podem fazer muito para evitar o pior. Planos de contingência, como a disponibilização de carros-pipa no Nordeste e de bombas de drenagem contra cheias no Sul, são exemplos.

“Todas as cidades deveriam ter um mapa de risco, conservar áreas para criar cidades-esponja, a população deve ser treinada para rotas de fuga”, afirma Regina Rodrigues, oceanógrafa, professora da UFSC, membro da rede de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

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