El Niño tem 82% de chance de se desenvolver até julho, diz serviço dos EUA

Foto: Broto COmunicação

15 Mai 2026

Cientistas ainda estão incertos sobre o nível de intensidade do fenômeno, mas reforçam que prevenção não pode esperar.

A reportagem é publicada por Climainfo, 14-05-2026.

De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC) dos EUA, o El Niño tem 82% de chance de se desenvolver entre maio e julho de 2026, com 96% de probabilidade de continuar durante o inverno no Hemisfério Norte. Contudo, ainda há muitas dúvidas quanto a um “Super El Niño”, informa o USA Today. Enquanto alguns especialistas avaliam que há mais de 60% de chances do fenômeno se tornar “forte” ou “muito forte” no fim do ano, outros ainda limitam essa probabilidade a menos de 40%.

O El Niño é considerado fraco quanto a temperatura da superfície do Oceano Pacífico equatorial sobe entre 0,5°C e 0,9°C acima da média por alguns meses consecutivos. Quando esse valor está acima de 2°C, o fenômeno é considerado muito forte ou um Super El Niño.

Atualmente, a temperatura média da água no Pacífico Equatorial está pouco abaixo de 0,5°C, mas deve superar esse patamar em junho, detalham CNN e Futura. É uma mudança substancial se comparada ao mês passado, no qual indicava condições neutras.

Para o CPC, as chances de um Super El Niño entre novembro deste ano e janeiro de 2027 aumentaram de 25%, no mês passado, para 37%, neste mês. O aumento da confiança no cenário futuro se deve à vasta massa de água quente acumulada nas profundezas do Pacífico equatorial central e oriental, volume que deve, eventualmente, subir à superfície.

Os efeitos do El Niño costumam surgir primeiro nos trópicos e depois se espalham para outras regiões. As mudanças podem abalar mercados de energia e agricultura, com secas prolongadas e temperaturas excepcionalmente quentes, além de aumentar as chances de incêndios florestais.

Alguns produtores agrícolas já em vulnerabilidade pelos efeitos da guerra no Oriente Médio, como a escassez de fertilizantes e o alto custo dos combustíveis fósseis, podem sofrer com quebras de safras e reduções de produção. É o caso da oferta de arroz no sudeste asiático e da produção de óleo de palma bruto na Indonésia, relatam Bloomberg e Reuters.

Se a força do El Niño ainda é incerta, especialistas lembram que a decisão sobre como se preparar para as próximas temporadas do fenômeno deve ser baseada na gestão de riscos, e não na espera por certezas.

“O impacto do El Niño não ocorre em todos os lugares ao mesmo tempo. Alguns efeitos surgem rapidamente, outros impactos chegam mais tarde, quando o El Niño atinge seu pico. Mas as comunidades precisam preparar suas infraestruturas agora”, afirma Pedro DiNezio, professor associado da Universidade do Colorado em Boulder, no site The Conversation.

“Mesmo quando as previsões sugerem riscos reduzidos, como uma temporada de furacões no Atlântico mais tranquila, seria um erro presumir segurança. Furacões destrutivos ainda atingem regiões mesmo em anos considerados calmos”, completou.

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