19 Mai 2026
Ninguém "pode jamais reivindicar o direito de violar a dignidade e os direitos de outros ou de suas comunidades", independentemente de seu poder ou status. O Papa Leão XIV não perde a oportunidade de reiterar a centralidade dos esforços para defender a dignidade humana e de chamar os governantes às suas responsabilidades. Ontem, ao receber em audiência os participantes da Segunda Conferência Interparlamentar sobre o Combate ao Crime Organizado na Região da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), ele exortou os políticos a continuarem trabalhando juntos para prevenir e combater as "atividades criminosas" ligadas ao narcotráfico. Um compromisso "estreitamente ligado ao respeito e à proteção dos direitos humanos universais", enfatizou o Pontífice às delegações europeias e internacionais que se reuniram em Montecitorio nos dias 14 e 15 de maio para um debate dedicado à "grave e urgente luta contra o flagelo das drogas ilícitas".
A reportagem é de Agnese Palmucci, publicada por Avvenire, 16-05-2026. A tradução é de Luisa Rabolini.
Em junho, por ocasião do Dia Internacional contra as Drogas, o Papa já havia criticado duramente aqueles que "fazem das drogas e de qualquer outra dependência” o seu “imenso negócio". Sobre esses temas, Leão XIV assegurou que a Santa Sé oferece amplo apoio a "toda iniciativa que busque estabelecer um sistema de justiça penal eficaz, justo, humano e credível", capaz de "prevenir e combater a produção e o tráfico de drogas ilícitas". "A verdadeira justiça", de fato, "não pode se limitar apenas à punição", mas todo esforço deve "também adotar abordagens marcadas pela perseverança e misericórdia, orientadas para a reeducação e para a plena reintegração dos infratores no tecido da sociedade". Em particular, Prevost reiterou aos membros da organização, fundada na década de 1970 para promover a segurança no continente europeu, que "o respeito pela dignidade intrínseca de cada pessoa", incluindo aqueles "que cometeram crimes", "exclui o recurso à pena de morte, à tortura e a qualquer forma de punição cruel ou degradante".
Há menos de um mês, o governo Trump anunciou sua intenção de reintroduzir o fuzilamento, a cadeira elétrica e a asfixia por nitrogênio como métodos de execução para condenados à morte por crimes federais. No final de março, também o Knesset, o parlamento israelense, aprovou uma lei que introduz a pena de morte para atos de terrorismo cometidos por palestinos. De acordo com os dados mais recentes da Anistia Internacional, 54 países ao redor do mundo ainda praticam a pena capital e, em 2024, Irã, Iraque e Arábia Saudita, seriam sozinhos responsáveis por 91% das execuções.
"A Santa Sé está firmemente convencida de que o Estado de Direito, a prevenção do crime e a justiça penal devem avançar juntos, em unidade", acrescentou o Papa, porque "nenhuma sociedade realmente justa pode perdurar a menos que a lei, e não a vontade arbitrária dos indivíduos, permaneça soberana." Para a prevenção das dependências, no entanto, é fundamental a educação. "Ela constitui a base do desenvolvimento humano integral", especificou Prevost, "e coloca crianças e jovens em condições de reconhecer a profunda devastação causada pelas drogas."
Particularmente em um tempo em que "as redes sociais disseminam com muita frequência desinformações perigosas que banalizam esses riscos", continuou ele, a educação deve transmitir "um conhecimento científico preciso dos efeitos nocivos dos narcóticos no cérebro, no corpo, no comportamento pessoal e no bem comum." A Igreja Católica também desempenha um papel importante nisso e, por meio de "suas numerosas instituições ao redor do mundo e com base em sua longa experiência no acompanhamento das pessoas que sofrem de dependência", está pronta para "fortalecer ainda mais seu vínculo de cooperação frutífera com a sociedade civil."
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