Trump insiste que Cuba "quer conversar", apesar de seus graves problemas econômicos

Foto: gabrielmbulla/Pixabay

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13 Mai 2026

O presidente afirma que continuará buscando canais diplomáticos, poucas horas antes de viajar para a China, um dos principais aliados de Havana.

A reportagem é de Macarena Vidal Liy, publicada por El País, 12-05-2026.

O presidente dos EUA, Donald Trump, está acompanhando de perto a situação em Cuba. Enquanto rumores de uma possível intervenção na ilha ressurgem e Washington intensifica as sanções contra o governo cubano, o republicano reservou um tempo em seus preparativos de última hora antes de viajar para a China nesta terça-feira para publicar uma mensagem nas redes sociais afirmando que uma Cuba em crise está "pedindo ajuda" para resolver seus graves problemas econômicos. Ele promete responder a esses pedidos com diálogo: "Vamos conversar".

Em uma mensagem peculiar em sua conta na rede social Truth, o presidente declarou: “Nenhum republicano jamais falou comigo sobre Cuba, que é um estado falido que só vai em uma direção: para baixo! Cuba está clamando por ajuda, e nós vamos conversar!” Ele concluiu sua breve declaração com “Enquanto isso, estou indo para a China!” poucas horas antes de embarcar em um avião para Pequim.

O republicano voltou a falar sobre a ilha ao sair da Casa Branca para iniciar sua viagem: “Cuba é um Estado falido”, insistiu, antes de assegurar que comentaria em detalhes “no devido tempo”. Sua visita a Pequim será a primeira de um presidente americano à capital em quase dez anos. Lá, ele se encontrará com seu homólogo chinês, Xi Jinping, para discutir medidas para estabilizar as relações bilaterais, bem como a guerra no Irã e, provavelmente, a situação na ilha caribenha. A China, aliada de longa data de Havana, tem sido um dos pilares da ajuda externa recebida pelo regime de Castro.

Precisamente para erradicar a ajuda externa que permitiu a sobrevivência do regime — mais por razões políticas do que outras —, o governo republicano dos EUA aumentou a pressão sobre a ilha e expandiu seu regime de sanções. Nas últimas duas semanas, essas penalidades foram aplicadas a praticamente qualquer pessoa ou entidade não americana que mantenha relações comerciais com a ilha, especialmente nos setores de energia, defesa, segurança e finanças.

Na semana passada, o Departamento de Estado anunciou novas sanções contra o conglomerado cubano Gaesa, controlado pelas forças armadas cubanas, os executivos desse gigante empresarial e uma joint venture de mineração com a empresa canadense Sherrit, uma das maiores empresas estrangeiras estabelecidas na ilha e que havia anunciado pouco antes a suspensão de suas atividades no país.

Desde 29 de janeiro, os Estados Unidos também impuseram um embargo de petróleo à ilha, ameaçando com sanções e tarifas os países que fornecem energia ao país, separado da costa da Flórida por apenas 150 quilômetros de mar.

A imposição de medidas punitivas contra a ilha ocorreu em paralelo a um aumento na retórica hostil de Trump contra o regime de Castro desde a operação militar que depôs e sequestrou o presidente Nicolás Maduro em Caracas, em 3 de janeiro. Desde então, o presidente americano tem insistido consistentemente que Cuba é um Estado falido, cujo governo está prestes a cair e que é o "próximo" alvo em sua lista de potenciais vítimas.

Duas semanas atrás, o presidente afirmou que "assumiria o controle" de Cuba "quase imediatamente" e chegou a insinuar que poderia enviar o porta-aviões Abraham Lincoln, atualmente posicionado no Golfo Pérsico para participar da guerra contra o Irã, para águas próximas à ilha.

Mas também na semana passada, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, após uma reunião com Trump na Casa Branca, que o americano lhe garantiu que não tinha intenção de invadir o país vizinho.

O secretário de Estado Marco Rubio também alimentou ainda mais a polêmica ao declarar repetidamente que o culpado pelos graves problemas econômicos da ilha não é o embargo americano de seis décadas, mas sim a "incompetência" de seus governantes. A situação na nação caribenha foi um dos principais temas de discussão durante o encontro que o secretário de Estado americano teve na semana passada com o Papa Leão XIV no Vaticano.

Enquanto Washington ameaça, de forma mais ou menos sutil, uma mudança de regime, também negocia com Havana, que celebrará seu Dia da Independência no dia 20. No mês passado, ocorreu o primeiro e único encontro presencial conhecido entre os dois lados, mas nenhum deles conseguiu anunciar qualquer progresso.

Essas negociações parecem estar agora paralisadas. Segundo a mídia americana, Washington exige a libertação de presos políticos e a implementação de reformas econômicas — uma parte fundamental das quais seria o pagamento de indenizações aos cubano-americanos cujas propriedades foram confiscadas durante a Revolução —, algo que Havana nega.

A retórica cada vez mais agressiva do governo nas últimas semanas, juntamente com uma análise de dados de aviação feita pela CNN que revelou um número significativo de voos de aviões espiões e drones dos EUA, alimentou rumores e ansiedade coletiva sobre algum tipo de ação militar. Desde 4 de fevereiro, a Força Aérea e a Marinha dos EUA realizaram pelo menos 25 voos desse tipo, a maioria deles ao redor das duas principais cidades de Cuba, Havana e Santiago. Esse tipo de atividade também aumentou ao redor da Venezuela nas semanas que antecederam a operação de 3 de janeiro.

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