11 Mai 2026
O Irã enviou sua resposta no domingo à mais recente proposta dos EUA para encerrar definitivamente a guerra, com o Paquistão atuando como mediador, de acordo com a agência de notícias iraniana IRNA.
A informação é publicada por El Diario, 10-05-2026.
"De acordo com o plano proposto, nesta fase as negociações se concentrarão na questão do fim da guerra na região", observa o veículo de comunicação, sem oferecer mais detalhes sobre a resposta, que deve ser comunicada à Casa Branca, que, por sua vez, deve expressar sua opinião.
Masud Pezeshkian afirmou que “falar sobre diálogo ou negociação” não significa “rendição ou recuo” e pediu “a recuperação dos direitos do povo iraniano e a firme defesa dos interesses nacionais”, durante a reunião sobre a reconstrução pós-guerra realizada em Teerã, e em uma mensagem que também transmitiu pela emissora X.
Nos últimos dias, em que ambos os lados trocaram tiros apesar da trégua acordada em 8 de abril e que permanece em vigor, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bagaei, insistiu repetidamente que Teerã estava estudando a proposta dos EUA, que surgiu em resposta a uma oferta anterior de 14 pontos apresentada pelo Irã na semana passada.
Teerã já havia reiterado que as negociações deveriam se concentrar, em uma primeira fase, em um acordo de paz e no fim do bloqueio no Estreito de Ormuz, adiando quaisquer conversas sobre seu programa nuclear para um momento posterior.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na sexta-feira que esperava que o Irã enviasse sua resposta no sábado e afirmou que, se nenhum acordo for alcançado com o país, ele reativará a Operação Projeto Liberdade para escoltar navios presos no Estreito de Ormuz devido às restrições impostas pela República Islâmica.
A reação de Trump veio neste domingo, quando ele publicou em sua rede social que acabara de receber "a resposta dos chamados 'representantes' do Irã" e que não gostou: "É TOTALMENTE INACEITÁVEL!"
O Irã e os Estados Unidos, que concordaram com um cessar-fogo em 8 de abril, após 39 dias de guerra, realizaram uma reunião de alto nível em Islamabad nos dias 11 e 12 de abril, mas não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim ao conflito e, desde então, não conseguiram chegar a um consenso para retomar as negociações. No entanto, ambos os lados continuaram a trocar mensagens e propostas.
Escalada de ataques no Golfo
Pela primeira vez desde o início do cessar-fogo, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos (EAU), o país mais afetado por este conflito no Oriente Médio, relataram ataques em seu território no domingo. O exército kuwaitiano afirmou ter agido contra "diversos drones hostis" em seu espaço aéreo e assegurou que respondeu de acordo com os protocolos de segurança estabelecidos, sem especificar se o Irã os lançou, visto que milícias xiitas pró-Irã no Iraque também têm atacado este pequeno país durante a guerra.
A agência de Operações Comerciais Marítimas do Reino Unido (UKMTO) informou no domingo que recebeu um relatório de um incidente a 23 milhas náuticas a nordeste de Doha, no qual o capitão relatou que a embarcação “foi atingida por um projétil desconhecido”, que causou “um pequeno incêndio”, o qual foi extinto sem vítimas.
Pouco depois, o Catar relatou um ataque com drone contra um navio cargueiro comercial – que viajava de Abu Dhabi para Doha – em suas águas territoriais, de acordo com o Ministério da Defesa do país, mas sem especificar quem estava por trás do ataque ou a bandeira que o navio ostentava.
A mídia iraniana afirmou que a embarcação atacada navegava sob a bandeira dos EUA e transportava grãos, sem especificar onde ou por que o ataque ocorreu, enquanto Washington ainda não reagiu ao incidente.
Desde 28 de fevereiro, as Forças Armadas dos Emirados Árabes Unidos interceptaram um total de 551 mísseis balísticos, 29 mísseis de cruzeiro e 2.265 veículos aéreos não tripulados, ataques que causaram doze mortes, incluindo dois militares dos Emirados.
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