05 Mai 2026
Muitos países e empresas anunciaram medidas para reduzir emissões de metano, mas números de 2025 mostram que há mais promessas do que ação.
A reportagem é publicada por climaInfo, 04-05-2026.
As emissões de metano, gás com poder estufa cerca de 80 vezes superior que o CO2 no curto prazo, provenientes de combustíveis fósseis permanecem em níveis muito altos, sem qualquer sinal de que estejam diminuindo globalmente. É o que alerta o relatório “Global Methane Tracker 2026″, lançado pela Agência Internacional de Energia (IEA) na 2ª feira (4/5).
Nos últimos anos, muitos países e empresas anunciaram esforços para reduzir as emissões de metano como parte das iniciativas para limitar o aquecimento global a curto prazo, com compromissos de redução que agora abrangem mais da metade da produção global de petróleo e gás fóssil. Mas as emissões de metano do setor energético em 2025 revelam uma grande lacuna na implementação dessas medidas, destaca a IEA.
O setor de combustíveis fósseis é responsável por 35% das emissões de metano provenientes da atividade humana. Como a produção de petróleo, gás e carvão atingiu níveis recordes no ano passado, a agência estima que as emissões de metano dessas atividades totalizaram 124 milhões de toneladas (Mt) no ano passado, informa O Globo – um valor acima das 121 Mt emitidas em 2024.
A IEA frisa que há muito espaço para ações adicionais. A disponibilidade e a divulgação de dados sobre emissões de metano aumentaram substancialmente nos últimos anos, indicando que cerca de 70% das emissões provenientes de combustíveis fósseis em 2025 vieram de 10 países. Enquanto isso, a intensidade de metano na produção de petróleo e gás varia amplamente entre as nações – com os países de melhor desempenho apresentando índices mais de 100 vezes inferiores aos dos países de pior desempenho.
A IEA ainda aponta que o combate às emissões de metano disponibilizaria volumes significativos de gás no mercado. Um cenário que, na avaliação da agência, ganha força com a guerra no Oriente Médio, que afetou o fornecimento de gás liquefeito (GNL) por países da região. No entanto, queimar metano não ajuda em nada a conter a crise climática, já que é a queima de combustíveis fósseis a principal causa das mudanças do clima.
As conclusões do relatório da IEA foram apresentadas em um evento sobre ações relacionadas ao metano convocado pela presidência francesa do G7 em Paris. “Espero sinceramente que as discussões nos permitam unir forças para acelerar a implementação de soluções eficazes para reduzir as emissões de metano ”, disse a ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut. De acordo com a RFi, Monique enfatizou que nenhum país ou setor isoladamente pode resolver o problema.
Estadão, Folha PE, Vero Notícias, Guardian e Business Green repercutiram o relatório da IEA sobre o metano.
Em tempo: Ainda segundo o Global Methane Tracker 2026, as emissões de metano provenientes das minas de carvão da Austrália - país que divide a presidência da COP31 com a Turquia - são mais que o dobro das estimativas oficiais do governo australiano relatadas à ONU, informa o Guardian. "A dimensão das emissões potenciais deve servir de alerta para que a Austrália alinhe suas políticas com a ciência climática e se comprometa com cortes rápidos nas emissões de metano provenientes de minas de carvão, uma das maneiras mais baratas e rápidas de reduzir o aquecimento global atualmente", disse Sabina Assan, analista de metano do think tank de energia Ember.
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